O Grupo de Trabalho das Categorias de Base do Futebol Brasileiro realizou sua segunda reunião na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), reunindo representantes de clubes, federações estaduais e especialistas do setor. O encontro aprofundou discussões sobre quatro eixos centrais: regulação de agentes de futebol, desenvolvimento do futebol feminino de base, modelo de clubes formadores e a estrutura do calendário de competições.
Na abertura dos trabalhos, o diretor executivo de Gestão da CBF, Helder Melillo, destacou que este é o terceiro grupo de trabalho instituído desde que Samir Xaud assumiu a presidência da entidade — os anteriores foram voltados ao Fair Play Financeiro e à modernização da arbitragem. Felipe Silva, presidente do GT e também da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF), reforçou que a construção coletiva de propostas deve promover mudanças relevantes nas competições e nas seleções de base nos próximos anos.
Crescimento expressivo do futebol feminino de base e o papel dos clubes formadores
A gerente de Competições Femininas da CBF, Aline Pellegrino, apresentou dados que ilustram a aceleração do futebol feminino nos últimos anos. Até 2024, poucas federações estaduais mantinham torneios da categoria sub-17. Atualmente, mais de 22 federações promovem competições regulares nessa faixa etária. O movimento ganhou impulso a partir da alteração do Estatuto da FIFA em 2016, que incorporou a igualdade de gênero como diretriz, levando a entidade a atuar de forma integrada com suas filiadas em pilares como o aumento do número e da qualidade de atletas e de competições, a comunicação e comercialização do futebol feminino e a ampliação da presença de mulheres em cargos de liderança.
Os números colhidos confirmam o impacto do investimento contínuo: o total de jogadoras profissionais registradas no Brasil praticamente quintuplicou em quatro anos, saltando de 214 atletas em 2022 para 1.058 em 2026. O gerente das Categorias de Base da Seleção Feminina, Gabriel Mastrodomenico, acrescentou que, das 26 jogadoras convocadas recentemente para os amistosos da seleção principal, 24 passaram pelas categorias de base — um aproveitamento de 92,3%. A presidente fundadora do Minas Brasília Futebol Feminino, Nayeri Albuquerque, e a gerente de futebol feminino do Internacional, Renata Armiliato, apresentaram cases de seus clubes e defenderam a centralidade da atleta no processo de desenvolvimento, com exigência de melhores condições de treinamento e de disputas.
No campo da formação de atletas masculinos, o CEO da Youth Football Management, Diogo Matos, conduziu uma dinâmica em grupos voltada à identificação de problemas estruturais da base e à formulação de propostas. A discussão sobre clubes formadores contou ainda com a participação de Ênio Gualberto, diretor de Registro, Transferência e Licenciamento da CBF, e de Augusto Oliveira, presidente do Movimento dos Clubes Formadores.
Regulamentação de agentes e reformulação do calendário
Desde a criação do GT, a CBF realizou duas consultas abrangentes: uma sobre a proposta de regulação dos agentes de futebol e outra sobre o calendário de competições. O presidente da CBF Academy, Tiago Pereira, detalhou as principais demandas levantadas pelo mercado e os prazos previstos para que o novo Regulamento da CBF entre em vigor. O coordenador jurídico da entidade, João Paulo Di Carlo, adiantou que a norma incluirá um Código de Ética e Conduta para os intermediários.
Sobre o calendário, o diretor de Competições da CBF, Julio Avellar, expôs os resultados da consulta realizada com os filiados e abriu espaço para que federações e clubes apresentassem questionamentos e sugestões diretamente. A expectativa da CBF é que as propostas consolidadas no GT orientem as decisões sobre a organização das competições de base já a partir das próximas temporadas.
Fonte: CBF.



