O Conselho Deliberativo do Atlético aprovou um aporte financeiro de R$ 530 milhões para a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. Em entrevista coletiva concedida na Arena MRV, o CEO da SAF atleticana, Pedro Daniel, detalhou como os recursos serão alocados e explicou o impacto direto da medida na saúde financeira da instituição no curto e médio prazo. De acordo com o executivo, a maior parte do montante será destinada a combater o passivo mais oneroso do dia a dia do clube-empresa.
A destinação prioritária dos recursos será a quitação de dívidas bancárias, que representam o gargalo financeiro mais severo na rotina da SAF. Pedro Daniel revelou que aproximadamente 90% do valor total do aporte — cerca de R$ 477 milhões — será utilizado exclusivamente para o pagamento desses débitos com instituições financeiras. O percentual restante do investimento será direcionado para cobrir despesas de operações já realizadas, englobando contratações efetuadas na última janela de transferências e aportes no ecossistema geral do departamento de futebol.
Redução drástica de juros e projeção de novos investimentos
A estratégia de focar o pagamento nas dívidas bancárias visa reduzir o impacto das despesas financeiras sobre o faturamento do clube. No exercício anterior, o Atlético despendeu cerca de R$ 300 milhões apenas com o pagamento de juros. O executivo destacou que, para uma instituição com receita bruta anual estimada na casa dos R$ 700 milhões, comprometer quase metade desse faturamento com encargos financeiros limitava drasticamente a eficiência operacional. Com a injeção do novo aporte, a projeção da diretoria é cortar essa despesa com juros pela metade, estimando um gasto de aproximadamente R$ 150 milhões para este ano.
Apesar do alívio projetado nos balanços mensais, o CEO ressaltou que a situação financeira do clube ainda exige cautela e não está totalmente solucionada. Pedro Daniel admitiu abertamente a possibilidade de o Atlético buscar novos aportes financeiros no futuro para dar sequência ao processo de saneamento fiscal. A reestruturação em andamento busca conferir maior previsibilidade e capacidade de investimento ao futebol profissional, reduzindo a dependência de empréstimos e consolidando bases econômicas mais sustentáveis para as próximas temporadas.
Fonte: Itatiaia.



