A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou, nesta segunda-feira (25), uma segunda reunião com representantes dos 40 clubes integrantes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para aprofundar as discussões sobre a criação de uma liga única de clubes. Sob a condução do presidente Samir Xaud, exatamente um ano após assumir o comando da entidade, o encontro focou na consolidação de propostas estruturais destinadas a valorizar o “produto Brasileirão” e preparar o cenário para a implementação definitiva da liga, cuja previsão de funcionamento foi mantida para a temporada de 2030, contando com a liderança compartilhada da CBF.
A entidade apresentou aos dirigentes um “diagnóstico” de comparação do Campeonato Brasileiro com as principais ligas europeias, como a Premier League (Inglaterra), LALIGA (Espanha) e Bundesliga (Alemanha). A análise identificou os dez fatores que hoje mais afastam a competição nacional do padrão da elite europeia, divididos entre indicadores “críticos” e aspectos que “demandam atenção”. Neste encontro, a CBF focou em cinco pontos principais: calendário, público e segurança, infraestrutura dos estádios, jovens talentos e governança do regulamento. Temas complementares, como tempo de jogo, transmissão de mídia, comunicação e redes sociais, marketing e sustentabilidade financeira, serão debatidos em reuniões subsequentes.
Padronização de horários, segurança biométrica, jovens talentos e modernização do STJD
O debate sobre o calendário ocorreu em meio ao acirramento político nos bastidores entre a CBF e o Flamengo, que no final de semana publicou uma nota criticando o calendário e os desfalques decorrentes de convocações para a Copa do Mundo. No entanto, a apresentação da CBF concentrou-se na falta de padronização de horários das partidas das Séries A e B. Um comparativo dos últimos três anos apontou que a oscilação dos horários afasta o público e desvaloriza o produto de transmissão. A proposta inicial é evitar jogos no horário das 19h em dias de semana e priorizar datas de finais de semana em faixas horárias mais acessíveis. A entidade planeja estabelecer uma regulamentação unificada para as arenas e enviará equipes para vistoriar os 21 estádios da Série A durante a pausa para a Copa do Mundo.
Na área de segurança, a CBF propôs a criação de uma comissão antiviolência e a integração dos sistemas de acesso dos estádios por biometria cruzada com dados do poder público, visando identificar e afastar torcedores envolvidos em tumultos. O projeto também busca estender a segurança de atletas em centros de treinamento e aeroportos. No quarto ponto da reunião a CBF manifestou sua preocupação em regular a atuação de empresários no Brasil, como forma de proteger o talento de jovens atletas no Brasileirão. O objetivo é ampliar a fiscalização para coibir práticas que vão desde de aliciamento de jovens até lavagem de dinheiro, passando por pagamentos não rastreados a familiares dos atletas, abordagem direta a menores de idade, entre outras.
No último pilar do dia, voltado à Justiça Desportiva, a CBF apresentou um plano de modernização do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A meta é reduzir o tempo médio de julgamento e aplicação de punições para no máximo 10 a 14 dias — aproximando-se do padrão europeu e eliminando o atual prazo médio de 79 dias observado no futebol brasileiro, de forma que as penalidades passem a ser aplicadas antes do início da rodada seguinte.



