A SAF do Vasco da Gama sofreu um novo revés jurídico que impacta diretamente o futuro de sua estrutura societária. A Justiça determinou, nesta quinta-feira, a penhora das ações pertencentes à 777 Partners no clube carioca. A decisão, assinada pela juíza Maria Aparecida da Costa Bastos, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), atende a um pedido da Matix Capital, empresa que atuou como consultora na intermediação da venda da SAF ao grupo investidor americano, em setembro de 2022.
Com a medida, o Vasco fica impedido de vender ou oferecer como garantia as ações da 777 sem uma autorização prévia do Judiciário. A decisão representa um obstáculo direto para as negociações em curso. O clube, sob a presidência de Pedrinho, tem conversas avançadas para vender a SAF ao empresário Marcos Lamacchia, com a intenção de alienar 90% do futebol. Caso a determinação seja mantida, o Vasco precisará obter autorização judicial, por intermédio da Matix, para prosseguir com a negociação com o novo grupo comprador.
O pedido de penhora foi fundamentado pela Matix Capital com base no risco de dissipação patrimonial, agravado pela crise financeira enfrentada pelas empresas executadas. Thairo Arruda, ex-CEO do Botafogo, é um dos sócios da consultoria que solicitou o bloqueio.
A estrutura acionária e os impasses jurídicos da SAF vascaína
A decisão judicial incide sobre um quadro acionário já complexo e em disputa. Atualmente, a divisão das ações da SAF do Vasco se dá da seguinte forma: 30% pertencem ao clube associativo; 31% estão sob controle da 777 Partners, adquiridos por meio de aportes financeiros desde 2022; e os outros 39% estão sob poder do Vasco por determinação judicial, mas seguem em discussão na arbitragem. A penhora atinge justamente a fatia de 31% pertencente ao grupo americano, que enfrenta uma série de litígios financeiros no Brasil e no exterior.
A decisão da juíza Maria Aparecida da Costa Bastos, portanto, cria uma camada adicional de insegurança para a conclusão da venda da SAF. Enquanto a diretoria vascaína tenta avançar nas tratativas com o grupo de Marcos Lamacchia, a determinação judicial exige que qualquer movimentação com as ações da 777 seja previamente submetida ao crivo da Justiça, que deverá ouvir a Matix Capital antes de autorizar eventuais transferências. O imbróglio acionário segue como o principal entrave para a definição do futuro do modelo de gestão do futebol do clube.
Fonte: ge.Globo.



