O Santa Cruz Futebol Clube protocolou junto à Justiça um cronograma estimado para a realização de sua Assembleia-Geral de Credores (AGC), etapa fundamental dentro do processo de Recuperação Judicial da instituição. A previsão é que o encontro ocorra entre os meses de outubro e novembro de 2026. O estabelecimento desse prazo atende a uma determinação da 18ª Vara Cível da Capital e está condicionado ao cumprimento de fases consideradas vitais para a saúde financeira do clube, como a conclusão de novas rodadas de mediação e o avanço definitivo na constituição da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A diretoria sustenta que, embora o processo tenha se estendido além do planejado originalmente na Lei de Recuperação Judicial, a reestruturação financeira apresenta avanços concretos. Um dos principais marcos citados é o sucesso da campanha de mediação extrajudicial realizada em novembro de 2025, quando o clube negociou com mais de 400 credores, resultando em 352 acordos firmados, majoritariamente com a classe trabalhista. O cumprimento rigoroso dos pagamentos desses acordos é utilizado pela gestão como prova de comprometimento com o soerguimento do clube.
Estratégia de mediação para grandes credores e regularização de balanços
Diante do aproveitamento positivo das negociações anteriores, o Santa Cruz planeja uma nova e última rodada de mediação entre os meses de maio e junho. O foco desta etapa será atrair credores com valores mais elevados e oferecer uma nova oportunidade de adesão para aqueles que não participaram da primeira fase. A estruturação dessa campanha ocorre simultaneamente ao trabalho de auditoria externa das demonstrações financeiras de 2025. O atraso na publicação do balanço anual, cujo prazo legal encerrou em 30 de abril, foi atribuído a esse processo de verificação, com previsão de regularização total até o fim de maio.
O clube já iniciou o compartilhamento parcial de documentos com os administradores judiciais para garantir a transparência durante o período de auditoria. A meta é que, com os dados contábeis validados, a nova rodada formal de mediação ocorra em junho, preparando o terreno para as negociações mais complexas que envolvem o passivo total da instituição. A gestão reforça que essas medidas são preparatórias para o momento em que o plano de recuperação será submetido à votação definitiva dos credores no final do ano.
O papel central da SAF e o impacto do calendário esportivo
A implementação da SAF é apontada como o pilar de sustentabilidade para o plano de recuperação. O cronograma indica que os meses de julho e agosto serão dedicados exclusivamente à conclusão das tratativas com investidores e à formalização jurídica da empresa. O entendimento da direção é que a entrada de capital externo é a única via para viabilizar o pagamento das dívidas em condições que sejam aceitáveis para os credores. Sem a consolidação deste novo modelo societário, a aprovação do plano de soerguimento ficaria comprometida.
A escolha do período de outubro ou novembro para a realização da Assembleia-Geral de Credores também leva em conta o calendário esportivo da Série C. O objetivo é evitar que a burocracia judicial e as decisões administrativas gerem impactos operacionais negativos durante a disputa da competição. Ao sincronizar os avanços da SAF com o término das principais etapas do torneio, o clube busca garantir que o ambiente político não interfira no desempenho em campo, enquanto assegura aos investidores e credores um cenário de maior clareza sobre o futuro do Santa Cruz.
Fonte: ge.Globo.



