O Sport Club do Recife mantém o foco na reestruturação de suas bases administrativas enquanto observa o cenário de transformações societárias no futebol brasileiro. Em entrevista ao programa Leo Medrado & Traíras, Matheus Souto Maior, presidente rubro-negro, tratou especulações recentes sobre um suposto interesse da Qatar Sports Investments (QSI), grupo controlador do Paris Saint-Germain, com cautela e destacou que não há qualquer negociação. A estratégia da atual gestão é consolidar pilares de transparência, profissionalismo e governança antes de avançar em qualquer modelo de Sociedade Anônima do Futebol, sob a premissa de que a organização interna é o principal atrativo para investidores que buscam retorno sustentável.
A diretoria defende que o clube possui viabilidade econômica robusta, independentemente de uma transição imediata para o modelo de empresa. Para sustentar essa tese, a gestão aponta o desempenho financeiro recente: entre março de 2023 e dezembro de 2025, o Sport registrou um faturamento bruto de R$ 630 milhões. Na visão dos dirigentes, um faturamento dessa magnitude em um intervalo de três anos comprova o potencial do clube como negócio, embora reitere a necessidade de uma estrutura gerencial mais sólida para otimizar esses ganhos e elevar a instituição de patamar de forma responsável.
Auditoria financeira e o desafio do passivo acumulado
Apesar do faturamento elevado, o cenário financeiro do Sport apresenta desafios herdados de períodos anteriores que demandam atenção rigorosa. O balanço relativo ao exercício de 2025 revelou um déficit de R$ 112,4 milhões, valor que supera o prejuízo registrado no ano de 2024. Para compreender a origem e a extensão desses números, a presidência contratou uma empresa especializada para realizar uma auditoria profunda nas contas do clube. O processo, considerado complexo pela atual administração, tem previsão de conclusão para os próximos 45 dias.
Este diagnóstico detalhado das finanças é considerado um passo essencial para a construção das “bases sólidas” mencionadas pela gestão. O objetivo é que, ao final do processo de auditoria, o Sport tenha um mapeamento claro de suas dívidas e obrigações, permitindo uma gestão mais eficiente do fluxo de caixa. A liderança rubro-negra acredita que apenas com as contas saneadas e processos de controle bem estabelecidos o clube poderá se posicionar com força no mercado, garantindo que uma eventual futura SAF seja realizada com segurança institucional e sem prejuízos ao patrimônio histórico da agremiação.
Fonte: Diário de Pernambuco.



