Ele praticamente dobrou seu valor de 2024 para 2026 e hoje começa a se posicionar como a maior força de uma região.
Se tem uma coisa que é fato e não podemos negar é que, quando você olha acima do Sul e do Sudeste no mapa do futebol brasileiro, o Bahia aparece como o primeiro nome de sucesso. E isso não é apenas pelo dinheiro do City Football Group, mas por uma administração profissional que vem sendo feita. Como já vimos em outros cenários, dinheiro sozinho não resolve quando a SAF ainda se prende a modelos de gestão do passado.
Não foi sorte. Foi capital inteligente, governança global e paciência estratégica. Vamos aos números que mostram por que o Bahia hoje é um dos cases mais quentes do futebol sul-americano.
O salto no valuation (Sports Value)
Segundo a Sports Value (6ª edição, dados consolidados no início de 2026), o Bahia SAF atingiu US$ 336 milhões (aproximadamente R$ 1,783 bilhão), cravando a 12ª posição no ranking dos clubes mais valiosos do Brasil.
- Crescimento de mais de 115% em dólares em relação a 2024 (de US$ 156 mi para US$ 336 mi).
- Um dos maiores saltos percentuais e absolutos entre todas as SAFs brasileiras.
O patrimônio líquido da SAF virou positivo em R$ 656,2 milhões, reflexo direto dos aportes do CFG.
Receitas recorde e eficiência operacional
Em 2025, a receita operacional líquida saltou de R$ 237,6 milhões para R$ 367,5 milhões (+54,7%). O prejuízo caiu de R$ 246,5 mi para R$ 154,6 mi (,37%).
Patrocínios, matchday, sócio-torcedor e direitos de transmissão ganharam peso. O clube diversificou e parou de depender exclusivamente de TV.
Patrocinadores atuais (2026)
- Esportiva Bet: Patrocinadora master (frente da camisa) por três meses iniciais de 2026, com possibilidade de extensão.
- BYD: Patrocinadora de três anos nos ombros (masculino e feminino), alinhada à rede global do City Football Group.
- Renovação com Cana Alimentos e outras parcerias regionais + apostas/capitalização.
Receitas comerciais crescem com a marca fortalecida e a visibilidade da rede CFG.
Infraestrutura: O maior CT da América Latina em construção
- Estádio: Arena Fonte Nova (convênio de alto rendimento, ~49 mil lugares).
- Novo CT – City Football Academy Bahia (CFA Bahia): Investimento de R$ 300 milhões em Camaçari (Via Metropolitana). 12 campos, miniestádio para 1.000 pessoas, hotel, centro de performance e padrão de excelência do City. Pedra fundamental lançada em fevereiro de 2026, obras em andamento, entrega prevista para dezembro de 2027.
Esse será o grande diferencial competitivo do Bahia nos próximos anos.
Divisão societária e nomes por trás
- City Football Group (CFG): 90% da SAF, com negociações para ampliar para até 93,95% via novos aportes.
- Associação Esporte Clube Bahia: 10% restante.
- Principais nomes: Ferran Soriano (CEO global), Raul Aguirre (CEO Bahia SAF) e a ponte institucional com o clube.
Aportes totais do CFG já superam R$ 1,1 bilhão até o fim de 2025 (incluindo AFAC de R$ 906,7 milhões).
Metodologia: Rede global + revelação acelerada
O Bahia não segue o puro “buy low/sell high” do Fortaleza antigo. Segue o DNA do City Football Group: scouting global, dados, Individual Development Program (IDP) na base e integração à rede (Manchester City, Girona, NYFC etc.).
- Investimento pesado na base (crescimento superior a 125% anual).
- Aquisições qualificadas + valorização via performance e empréstimos/exposição internacional.
- Valor de elenco em 2026: cerca de € 114 milhões (R$ 671 milhões).
A estratégia é clara: formar, desenvolver e, quando for o momento, monetizar talentos para Europa dentro do ecossistema.
Geração de valor em casa
Aqui é onde muitos gestores se perdem e se desesperam. Você planta e não colhe de imediato. O Bahia, em 2026, começa a operar grandes vendas no mercado. O modelo de negócio é investir na base, montar um elenco com um ou dois nomes de referência (como Jean Lucas e Everton Ribeiro) para dar liderança e corpo aos jovens que sobem. Isso acelera a valorização dos atletas e abre caminho para os primeiros grandes negócios da base e é esse caminho que em 2026 vai ser realidade do clube.
Outro ponto crucial: estabilidade técnica. O Bahia é um dos clubes que menos demite treinador na Série A. Rogério Ceni vai para mais de 30 meses no comando — algo raro nos dias de hoje. Isso mostra confiança de médio e longo prazo no projeto.
Não foi obra do acaso
Não foi obra do acaso. O Bahia não está apenas sobrevivendo — está construindo um dos projetos mais profissionais e sustentáveis do futebol brasileiro. O valuation dobrou, as receitas explodiram, a infraestrutura de classe mundial sai do papel e o prejuízo encolhe ano após ano.
Mas atenção: o modelo City exige entrega. Não basta injetar dinheiro. Precisa de paciência, execução implacável e, principalmente, manter o DNA tricolor enquanto importa excelência global.
Se eu fosse diretor do Bahia.
O próximo passo seria: criar uma rede de prospecção em todo o estado, tornando-o o principal berço de talentos da Bahia (a partir de 14-16 anos), com parcerias para desenvolvimento em clubes menores (como Londrina, via ligação do grupo).
No sócio-torcedor, expandir para todo o Nordeste com lojas físicas nas principais capitais — transformando o Bahia no “Barcelona do Nordeste”, representando a identidade e a tradição da região, se você é nordestino, com esse slogan eu mudaria a percepção de marca, de camisas a cervejas e quiosques temáticos em praias.
Diretor de futebol, CEO ou investidor que está lendo esta coluna na sala de reuniões:
Se o seu clube ainda briga com dívidas antigas, patrocínios medianos e CT obsoleto, pare de improvisar. O mercado não perdoa amadorismo. Estude o caso Bahia. Capital inteligente + governança + visão de longo prazo vencem.
O Nordeste já tem um modelo em construção que pode virar referência continental. A pergunta é: o seu clube vai assistir ou vai copiar o que funciona?
ACESSE AQUI o Informativo Financeiro do Esporte Clube Bahia na íntegra.
Felipe Araujo
Executivo com especialização em Gestão de Clubes de Futebol e MBA em Gestão Financeira. Felipe Moreira une a experiência de liderança em multinacionais à análise técnica do ecossistema das SAFs. É o criador da newsletter ‘Sala do Diretor’, referência em inteligência de mercado e gestão esportiva com mais de 3.500 assinantes qualificados. Tenho mais de 100 publicações, gosto de olhar o mercado e sempre escrevo com olhar administrativo sobre a realidade.



