O Vasco da Gama consolidou, no exercício de 2025, o primeiro resultado financeiro positivo desde a implementação de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). De acordo com as demonstrações contábeis publicadas nesta quinta-feira, o clube encerrou o ano com um lucro líquido de R$ 81,2 milhões. O desempenho representa uma reversão significativa em relação ao ano anterior, quando a instituição havia registrado um prejuízo de R$ 114,7 milhões. O resultado foi impulsionado por um crescimento de 18,7% na receita total, que atingiu o patamar de R$ 628 milhões, somando as operações rotineiras e a negociação de direitos econômicos de atletas.

A trajetória de recuperação reflete o primeiro ciclo completo de gestão sob a atual diretoria, marcado por um aumento expressivo na arrecadação operacional. O desempenho esportivo na Copa do Brasil e a liquidez no mercado de transferências foram pilares fundamentais para o faturamento recorde. Em termos históricos, o balanço interrompe uma sequência de saldos negativos que vinha desde 2022, sinalizando o que a administração classifica como a criação de fundamentos sólidos para a competitividade de longo prazo e estabilidade institucional.
Balanço financeiro dos anos de SAF:
- 2022 – prejuízo de R$ 88 milhões
- 2023 – prejuízo de R$ 123 milhões
- 2024 – prejuízo de R$ 114 milhões
- 2025 – lucro de R$ 81 milhões
O impacto da recuperação judicial e a estrutura do passivo
Um fator determinante para a formação do lucro em 2025 foi a homologação do plano de Recuperação Judicial (RJ), ocorrida em outubro do ano passado. Segundo o parecer do Conselho Fiscal, o impacto contábil das manobras financeiras permitidas pela RJ foi material. Sem os efeitos desse processo — que envolve a aplicação de deságios e ajustes de valores — o Vasco apresentaria um prejuízo estimado em R$ 232 milhões. Na prática, a RJ permitiu que dívidas antigas fossem reestruturadas, transformando passivos onerosos em obrigações com prazos e valores compatíveis com a realidade do caixa.

Atualmente, o passivo total da SAF está fixado em R$ 1,09 bilhão. Desse montante, R$ 384,5 milhões correspondem a obrigações de curto prazo (circulante), enquanto R$ 711,8 milhões têm vencimento em períodos superiores a 12 meses. As dívidas incluídas especificamente no plano de recuperação judicial somam R$ 457,9 milhões, mas, após a aplicação dos ajustes financeiros previstos em lei, o valor líquido dessas obrigações no balanço é de aproximadamente R$ 219,5 milhões. Apesar do lucro no exercício, o patrimônio líquido consolidado ainda permanece negativo em R$ 647,5 milhões, refletindo o peso das dívidas herdadas que ainda estão em fase de liquidação.
Ressalva da auditoria e pendências documentais
O balanço financeiro foi acompanhado por uma ressalva do auditor independente. O relatório aponta que não houve tempo hábil para concluir a conferência integral de determinadas rubricas devido à data de emissão do documento. Entre os pontos que ainda demandam mensuração final e validação técnica estão estoques avaliados em R$ 3,8 milhões, depósitos judiciais de R$ 25,6 milhões e créditos tributários na ordem de R$ 30,2 milhões.
A ressalva também alcança compromissos com fornecedores e obrigações trabalhistas, além de direitos de imagem e transações de atletas que somam mais de R$ 117 milhões. Embora os documentos tenham sido entregues pelo clube para avaliação, o auditor ressaltou a insuficiência de prazo para a conclusão de todos os procedimentos aplicáveis a essas contas específicas. Para a diretoria, no entanto, os avanços observados em 2025 indicam uma reconstrução estruturada, permitindo que a instituição projete um futuro financeiro mais previsível.
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Fonte: ge.Globo; Vasco da Gama.



