A Portuguesa SAF promoveu, na Casa de Portugal, nesta última terça-feira o evento institucional Lusa SAF Day para detalhar os resultados financeiros e operacionais de 2025, o primeiro ano completo sob a nova gestão. O balanço revela um processo de reconstrução focado na recuperação da credibilidade de mercado e na estabilização das contas. Durante o período, a instituição registrou uma receita bruta contábil de R$ 13,908 milhões, impulsionada principalmente pelos direitos de transmissão, que somaram R$ 8,712 milhões. Premiações (R$ 1,672 milhão), bilheteria (R$ 1,316 milhão) e patrocínios (R$ 1,227 milhão) completam os pilares da arrecadação.
Em uma análise gerencial que engloba a negociação de jogadores, o faturamento total alcançou R$ 22,368 milhões.


Um dos destaques do ano foi a liquidez dos ativos esportivos: o clube movimentou R$ 6,545 milhões com a venda de direitos econômicos de atletas, contra um custo de aquisição de R$ 2,8 milhões. Atualmente, a SAF detém porcentagens de 49 jogadores, um patrimônio estimado em cerca de 5 milhões de euros. Além dos ganhos em campo, o programa de sócio-torcedor gerou R$ 748 mil, enquanto royalties e licenciamento de marca somaram R$ 189 mil.

Gestão da dívida e valorização de ativos
A reestruturação financeira permitiu uma queda expressiva no passivo do clube, que recuou de aproximadamente R$ 590 milhões para R$ 190 milhões em pouco mais de 16 meses. Essa redução é atribuída ao aporte de acionistas e a uma política rigorosa de renegociação com credores. A diretoria ressalta que o foco inicial foi retomar o respeito do mercado, facilitando a chegada de novos profissionais e atletas que, anteriormente, demonstravam resistência em se vincular à marca devido ao histórico de instabilidade.

No campo esportivo, o planejamento cumpriu metas fundamentais de curto prazo, como a manutenção na elite do Campeonato Paulista e a garantia de um calendário nacional para 2026. A montagem do elenco, iniciada de forma emergencial no final de 2024, deu lugar a uma estrutura técnica mais robusta, composta por vice-presidências de futebol, finanças, ciência do esporte e diretorias de inteligência e desempenho. O objetivo central é consolidar uma base sustentável que evite o retorno aos problemas financeiros do passado, priorizando investimentos que gerem valorização a longo prazo.
Projeções para o novo Canindé e modernização estrutural
O projeto de modernização do Estádio do Canindé também foi pauta central na prestação de contas. A diretoria relatou avanços nas negociações com a Prefeitura de São Paulo para resolver entraves burocráticos que perduram desde o ano passado. A expectativa é que as pendências administrativas sejam finalizadas em um prazo de 30 a 45 dias, permitindo que as obras de transformação do estádio em uma arena multiuso comecem ainda no último trimestre de 2026.

A proposta de infraestrutura conta com parcerias estratégicas para transformar o complexo em uma das arenas mais modernas do mercado. Enquanto os trâmites legais avançam, o clube mantém a utilização normal do estádio, tendo registrado picos de arrecadação pontuais, como o lucro de R$ 1,915 milhão obtido na comercialização do mando de campo contra o Corinthians no Pacaembu. Para a gestão, a transparência na divulgação desses dados — uma prática comum no mercado financeiro, mas ainda rara no futebol — é a ferramenta principal para atrair novos parceiros e assegurar o crescimento contínuo da instituição.
Fonte: ge.Globo; NetLusa; MKT Esportivo.



