O Chelsea e outros clubes da Premier League adotaram uma estratégia contábil para cumprir as exigências do fair play financeiro da liga inglesa e da Uefa. Segundo um relatório da empresa “Intelligence 2P”, essas instituições estão vendendo ativos de sua propriedade — como equipes de futebol feminino e complexos hoteleiros — para empresas que pertencem aos seus próprios donos. A manobra visa registrar lucros imediatos e evitar penalidades severas, como multas e a perda de pontos na tabela.
Os atuais proprietários do Chelsea, liderados por Todd Boehly e pela Clearlake Capital, foram pioneiros nessa movimentação. Em um período de três anos, o clube acumulou 275,2 milhões de libras (aproximadamente R$ 1,9 bilhão) por meio dessas transferências internas. Na prática, o ativo permanece sob o controle indireto dos mesmos gestores, mas o valor da transação entra no balanço financeiro como receita, permitindo que o clube atenda aos índices de sustentabilidade exigidos pelas autoridades esportivas.
Transações imobiliárias e venda da equipe feminina
A execução dessa estratégia começou na temporada 2022-2023, quando o Chelsea transferiu um hotel para a BlueCo 22, holding que controla o time. A operação gerou um lucro contábil de 76,5 milhões de libras, o que ajudou a mitigar um prejuízo operacional que, originalmente, ultrapassava os 166 milhões de libras. No ano seguinte, o clube realizou a venda de sua equipe de futebol feminino para o mesmo grupo por 198,7 milhões de libras, garantindo um superávit que afastou o risco de punições imediatas por descumprimento do teto de gastos.
Embora o Chelsea represente 60% dessas movimentações, o relatório aponta que Newcastle United, Aston Villa e Everton também aderiram à tendência. Somados, os quatro clubes comercializaram ativos que totalizam 570 milhões de libras (cerca de R$ 3,9 bilhões). Essas medidas surgem em um momento de endurecimento das regras da Uefa, que estabeleceu que os clubes podem gastar apenas até 70% de suas receitas com a montagem de elencos, oferecendo um prazo de três anos para adaptação.
Endurecimento das regras e novos limites orçamentários
A Premier League tem aumentado a pressão sobre a gestão financeira das equipes, uma vez que a maioria dos clubes ingleses não consegue gerar lucro de forma orgânica. Atualmente, a liga permite prejuízos acumulados de até 105 milhões de libras em três anos, desde que cobertos por acionistas. No entanto, a partir da temporada 2026-2027, entrará em vigor um novo sistema de controle, similar ao modelo da La Liga espanhola.
Pelo novo regulamento, o custo total do elenco — incluindo taxas de transferência — será limitado a 85% da receita total do clube. O teto de gastos será definido no início de cada temporada com base em estimativas de faturamento e lucros com transferências de anos anteriores. Todos os clubes serão submetidos a uma avaliação rigorosa em 1º de março e aqueles que excederem o limite estabelecido estarão sujeitos a medidas disciplinares automáticas para corrigir as finanças e evitar sanções esportivas.
Fonte: ge.Globo.



