No varejo e na indústria, modelos supervisionados e de elasticidade já sugerem o preço ideal em tempo real, considerando demanda, comportamento do consumidor e variáveis competitivas. O que antes era diferencial virou rotina.
No mercado de ingressos, porém, ainda existe uma grande lacuna.
Em muitos casos, a grade de preços ainda depende da experiência acumulada de profissionais e de processos manuais. Não é um problema de competência, é uma questão de método. E com o avanço das arenas multiuso, esse desafio ficou ainda maior: quando o estádio está ocupado por shows, o clube joga em outra praça, muitas vezes sem histórico local, sem referência de ticket médio e sem critérios claros de alocação.
O debate que não para de crescer
A Copa do Mundo de 2026 acendeu o sinal de alerta: preços elevados, preço dinâmico sem critérios e falta de transparência geraram reclamações formais de torcedores europeus junto à FIFA. O ingresso mais caro para a final chegou a US$ 10.990.
O debate, porém, amadureceu. A questão deixou de ser só “o preço é justo?” e passou a ser: com que método, dados e critérios essa decisão foi tomada?
Tecnologia como aliada, não como substituta
A resposta não está em cobrar mais ou menos. Está em ter método antes de publicar qualquer valor. A tecnologia não substitui o profissional experiente, ela amplifica a capacidade de quem decide, reduzindo o improviso e aumentando a qualidade dos resultados.
Tempo é dinheiro, e oportunidade perdida também tem custo
Mesmo eventos que lotam deixam receita na mesa. Um setor que poderia abrir em etapas, um preço abaixo do que a demanda suportaria, uma combinação nunca simulada. Cada decisão sem dados é uma hipótese não testada, e hipóteses têm custo.
Soma-se a isso o tempo da equipe consumido em planilhas e ajustes de última hora. Quando esse esforço vai para processos que poderiam ser estruturados, sobra menos energia para a operação, para o torcedor e para a estratégia.
Desenvolver internamente ou buscar parceiros especializados?
Construir uma ferramenta interna parece atraente, mas raramente é simples: desenvolvimento, manutenção, atualização de modelos e o risco de obsolescência antes de escalar. Parcerias externas com especialistas liberam o time interno para focar no que realmente é seu negócio.
A ticketeira segue tendo um papel fundamental na operação. Mas existe espaço para uma camada especialista de inteligência, que pode atuar inclusive em conjunto com essas plataformas, fortalecendo o ecossistema e apoiando modelos mais personalizados e complexos.
O mercado de ingressos está em transformação. Método, dados e governança deixaram de ser opcionais. Quem estruturar a decisão antes vai sair na frente.
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NOTA EDITORIAL
O tema já movimenta empresas no Brasil e no mundo. No cenário internacional, destacam-se a Digonex, especialista em precificação dinâmica para esportes e entretenimento; a Eventellect, que usa machine learning para gestão de inventário e pricing em tempo real; e a Ticketmaster, com funcionalidades de simulação de receita, ainda que sem sugestão de alocação ou otimização de grade. Todas atuam como camadas de inteligência, distintas das ticketeiras. No Brasil, a Strategic Plan Tech lançou em 2026 o Strategic Plan Tickets (SPT), um produto nacional especialista em precificação de ingressos para o futebol e qualquer tipo de evento, combinando Inteligência Artificial, otimização matemática e regras de negócio.
Tiago Corrêa
Possui graduação em Matemática pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mestrado em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela UFSCar e doutorado em Tecnologia pela Unicamp. Tem experiência em pesquisa e inovação em Ciência de Dados, Inteligência Artificial, precificação, além de atuação em gestão de projetos e equipes.



