Em 2025, o Botafogo Futebol Clube da Paraíba passou a enfrentar desafios jurídicos, comerciais e institucionais relacionados ao seu escudo, um símbolo histórico que nunca foi formalmente registrado.
Segundo um representante do clube, o escudo atual é de domínio público, uma vez que o Botafogo-PB usa há mais de 50 anos. Logo, o clube pode utilizá-lo para jogar e nas redes sociais, porém não pode comercializar com ele.
A raiz do impasse começou em 2015, quando o clube tentou registrar seu escudo junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). O pedido foi negado em 2017 sob a justificativa de que o símbolo era uma imitação do escudo do Botafogo do Rio de Janeiro, que já possuía registro desde 1990.

Na prática, isso significou que o Botafogo-PB não teria segurança jurídica para explorar o escudo comercialmente, um detalhe que se tornaria crucial anos depois.
A chegada da SAF e o alerta do mercado
Em 2025, com a implementação da SAF e a profissionalização da gestão, o problema ganhou urgência. A parceria com a fornecedora italiana Kappa expôs a fragilidade: sem uma marca registrada, o clube enfrentava limitações para vender produtos, licenciar sua imagem e expandir receitas.
A exigência da fornecedora foi clara: era necessário registrar um escudo. Essa condição impactou diretamente até o uniforme principal do clube (a tradicional camisa listrada), que deixou de ser produzido temporariamente por falta de regularização da marca, o que fez o time atuar apenas com uniformes totalmente preto e outro totalmente branco.
A tentativa de solução: a estrela vermelha
Diante do risco jurídico e comercial, o clube iniciou, em junho de 2025, o processo para registrar uma marca alternativa: a estrela vermelha de cinco pontas, elemento já presente na identidade do clube.
A estratégia buscava manter um vínculo simbólico com a tradição, ao mesmo tempo em que criava uma alternativa juridicamente viável. No entanto, o movimento rapidamente encontrou resistência.
Em agosto de 2025, o Botafogo de Futebol e Regatas (Botafogo do Rio) entrou com oposição formal ao pedido no INPI, ampliando o conflito para uma disputa direta entre os clubes.
Mais que um símbolo: uma disputa de mercado
O impasse não se limita à estética, trata-se de um conflito clássico de propriedade intelectual no esporte: de um lado, a exclusividade de marca registrada, do outro, o peso histórico e cultural de um símbolo utilizado há mais de 50 anos.
Para a SAF do Botafogo-PB, o risco é que, sem um escudo registrado, o clube pode enfrentar processos judiciais, perder receitas e limitar sua expansão.
2026: participação da torcida e divisão interna
Em abril de 2026, o clube deu um novo passo ao lançar um concurso para criação de um escudo alternativo. A iniciativa buscou envolver torcedores e designers, ampliando o debate sobre identidade visual e tentando construir uma solução coletiva.
Porém, a ação escancarou divergências internas. A associação, que ainda detém 10% do clube, manifestou preocupação com possíveis mudanças que afetem a identidade histórica. A discussão passou a envolver não apenas aspectos jurídicos, mas também emocionais e institucionais.
A Lei da SAF, inclusive, exige que mudanças em símbolos oficiais tenham aprovação da associação, o que adiciona mais uma camada de complexidade ao processo.
Um futuro ainda indefinido
Atualmente, o caso segue em análise no INPI. O órgão terá que decidir entre diferentes possibilidades:
- aceitar o registro da nova marca;
- considerar a oposição do Botafogo-RJ;
- ou até abrir espaço para coexistência de identidades.
Conclusão
O caso do Botafogo-PB ilustra um movimento maior no futebol brasileiro: a transformação dos clubes em marcas. Nesse cenário, tradição já não é suficiente, é preciso proteção jurídica e posicionamento de mercado.
Alexia Enoque
Publicitária e profissional de marketing, com experiência em posicionamento, criação de conteúdo e gestão de redes sociais. Atua nos bastidores da Sou SAF, é apaixonada por futebol e pelo mercado da comunicação. Compartilha tendências e insights sobre marketing esportivo e o cenário das SAFs.



