A assembleia geral de associados do Sport Club Corinthians Paulista, marcada para 18 de abril de 2026, com o objetivo de votar a reforma do estatuto do clube, foi suspensa por decisão liminar da Justiça. A medida, determinada nesta segunda-feira, 13 de abril, pelo juiz Luis Fernando Nardelli, da 3ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé (VIII – Tatuapé), atende a pedido do conselheiro Felipe Ezabella, que alegou irregularidades no processo de convocação e debate.
Na decisão, o magistrado destacou riscos de invalidar deliberações futuras, gerar instabilidade institucional e comprometer a segurança dos associados caso a votação prosseguisse com falhas identificadas. Ezabella recorreu após alertas internos sobre supostas deficiências na tramitação, defendendo que a discussão avance dentro das normas estatutárias. Ele manifestou interesse em debater propostas como ampliação do colégio eleitoral, inclusão do voto do torcedor, responsabilização de dirigentes e reestruturação de órgãos internos.
O processo de reforma teve início em 9 de março de 2026, durante reunião de conselheiros no Parque São Jorge, marcada por discussões acaloradas e suspensão prematura. O presidente interino Osmar Stabile acusou Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, de interferência na gestão e ameaça pessoal em encontro anterior, relatando que teria sido pressionado a seguir exigências sob risco de retaliação. Sem condições de prosseguir, a sessão foi encerrada.
Dias depois, em 23 de março, Stabile convocou nova reunião para votar o afastamento cautelar de Tuma Júnior, aprovado por 115 dos 137 conselheiros presentes – decisão ainda contestada internamente. Apesar disso, Tuma manteve a convocação da assembleia geral de associados para 18 de abril, agora bloqueada pela liminar.
As mudanças propostas, definidas em audiências públicas entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 no Parque São Jorge, abrangem diversos capítulos do estatuto. Entre os temas debatidos: denominação, sede, duração, fins e patrimônio (1º/12); quadro social e poderes sociais (1º/12); votação do Fiel Torcedor (4/12); assembleia geral, convocação, quórum e publicidade (8/12 e 16/12); sistemas de eleição para o Conselho Deliberativo, com regras de votação, voto online e regulamentos (21/1); composição, funcionamento e deliberação do Conselho Deliberativo (23/1); sistema de votação para a Diretoria, turno único ou dois turnos, e Conselheiro Vitalício Honorário (26/1); Conselho de Orientação (CORI) e Conselho Fiscal (CF) (29/1); estrutura da Diretoria, governança, integridade, responsabilização, finanças, receitas, despesas, limites, antecipações e controles, além de regulamentos e instruções (2/2); disposições gerais, transitórias e cronograma de implementação (4/2); e outros assuntos (9/2).
Principais alterações incluem o direito de voto aos membros do programa Fiel Torcedor, votação individual na eleição de conselheiros, realização da eleição presidencial em dois turnos, cassação de mandato para conselheiros que faltarem a três reuniões consecutivas e inclusão de regras para eventual criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O clube emitiu nota confirmando a suspensão, informando que a assembleia foi cancelada por determinação judicial decorrente de ação movida por um associado.
Tuma Júnior renuncia à presidência do Conselho Deliberativo
Romeu Tuma Júnior anunciou, nesta segunda-feira, 13 de abril, por meio de nota nas redes sociais, que não é mais presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians. A decisão veio após a liminar judicial que suspendeu a assembleia de associados, e ele alegou uma operação política para bloquear a vontade dos sócios, com sua permanência sendo usada por Osmar Stabile como pretexto para inviabilizar a votação da reforma estatutária em 18 de abril.
Tuma afirmou que “nos últimos dias, ficou evidente a construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados. A minha presença na presidência do Conselho passou a ser usada pelo presidente da Diretoria, Osmar Stabile, como argumento para inviabilizar a votação da reforma no dia 18 de abril”. Ele acusou Stabile de se utilizar de terceiro para propor a ação judicial, “porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor”.
Com o afastamento, Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho, assume o cargo.
Fonte: Poder 360; O Tempo; CNN Brasil.



