Pedro Junio, vice-presidente do Cruzeiro, abriu o jogo sobre a situação financeira da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em entrevista ao CNN Esportes S/A neste domingo, 12 de abril de 2026. Sob a gestão de Pedro Lourenço, conhecido como Pedrinho BH e dono da rede Supermercados BH, que assumiu 90% das ações em abril de 2024 junto a Ronaldo, o clube reduziu a dívida herdada em 15 a 20% nos quase dois anos da atual gestão da SAF. A dívida inicial girava em torno de R$ 700 a R$ 800 milhões, com plano de recuperação judicial já estruturado pela administração anterior, que a atual segue fielmente.
“Hoje, a dívida do Cruzeiro reduziu bastante. Já conseguimos reduzir ela entre 15 e 20% nesses quase dois anos de SAF. Mas é um trabalho perpétuo, duro que nossa equipe jurídica faz. Tentamos sempre, a cada ano, a cada pagamento, sempre economizar mais e antecipar esses pagamentos quando temos o recurso disponível. Mas pretendemos finalizar essas dívidas nos próximos oito anos”, detalhou Pedro Junio. Ele enfatizou que o planejamento segue o processo bem feito por Ronaldo, com equalização gradual e possibilidade de amortização antecipada via investimentos e novos patrocinadores.
A receita anual saltou de R$ 150 milhões para R$ 400 milhões, impulsionada por conquistas como final da Sul-Americana, terceiro lugar no Brasileirão e semifinal da Copa do Brasil, que geraram premiações e atraíram mais parceiros comerciais. Apesar da recuperação judicial anual de R$ 80 milhões, o clube não registra dívidas de curto prazo na gestão atual, com salários em dia. Os aportes familiares são programados e devem diminuir conforme a autossustentabilidade avança.
Sobre a folha salarial, projetada para crescer com a performance em campo, Pedro Junio afirmou: “O custo é alto, é elevado, mas dentro de um planejamento que não nos assusta”. Ele destacou a ausência de pendências imediatas e o foco em sustentabilidade, evitando valores exatos por depender dos resultados esportivos.
Na próxima janela de transferências, entre julho e setembro, o planejamento envolverá diretamente o técnico Artur Jorge. “Vamos sentar com calma, planejar com Artur o que ele acha interessante. O bom é que ele vai ter vários jogos para analisar. O que o treinador ver necessidade e o clube também entender, a gente faz qualquer movimento. O Cruzeiro está sempre atento ao mercado, atento às oportunidades”, explicou. Na janela anterior, o clube manteve o elenco base com contratações pontuais: Gerson, por € 27 milhões fixos (R$ 158 milhões) do Zenit-RUS; goleiro Matheus Cunha, ex-Flamengo; atacantes Chico da Costa, ex-Cerro Porteño; Néiser Villarreal, ex-Millonarios; e Bruno Rodrigues, ex-Palmeiras.

Pedro Junio equilibra paixão e gestão profissional. Cruzeirense convicto, ele descreve a família unida no sofrimento pelo time, mas sem decisões precipitadas por emoção. “A paixão do meu pai é aflorada e visível. A família toda sofre com o Cruzeiro. Mas a família se une para não tomar decisão errada. Ainda não (tomamos decisão pela emoção). Tudo o que meu pai pensa e planeja, ele tem a confiança que aquilo vai dar certo e passa essa confiança para todos nós”, relatou. A administração é enxuta, qualificada e familiar, inspirada nos 30 anos de solidez da empresa varejista, trazendo profissionalismo ao futebol brasileiro.
“Cruzeiro é um grande negócio, mas a paixão é mais prazerosa”, resumiu, destacando benefícios mútuos: exposição de marca atrai fornecedores para os Supermercados BH, gerando novos patrocínios e conteúdos. O objetivo é uma SAF autossustentável, que crie valor além de consumir recursos, com gestão responsável em um mercado de bilhões.
A trajetória reflete compromisso com transparência e planejamento, posicionando o Cruzeiro para desafios em competições nacionais e internacionais, onde equilíbrio financeiro sustenta ambições esportivas.
Fonte: CNN Esportes S/A; Itatiaia.



