Nos últimos anos, a transformação de clubes em SAF tem ganhado destaque no futebol brasileiro. Mas afinal, como funciona esse modelo na prática? E por que contar com uma assessoria especializada pode ser o fator decisivo entre o sucesso e o fracasso dessa mudança? Vamos por partes.
O que é SAF?
SAF é a sigla para Sociedade Anônima do Futebol, um modelo criado pela Lei nº 14.193/2021 que permite que clubes se organizem como empresas.
Na prática, o futebol deixa de ser gerido apenas como associação e passa a adotar uma estrutura empresarial, com foco em governança, transparência e eficiência financeira.
Por que transformar um clube em SAF?
A adoção da SAF busca resolver problemas históricos do futebol brasileiro, principalmente financeiros e administrativos.
Entre os principais benefícios estão:
- Possibilidade de atrair investidores;
- Melhor organização das finanças;
- Renegociação estruturada de dívidas;
- Gestão mais profissional e transparente.
Mas atenção: esses resultados não acontecem automaticamente.
Como se dá a criação de uma SAF?
A transformação envolve etapas jurídicas e estratégicas importantes:
- Aprovação interna do clube -> A decisão parte da associação, normalmente por meio de assembleia de sócios.
- Constituição da SAF -> Cria-se uma empresa que passará a gerir exclusivamente o futebol.
- Transferência de ativos -> Contratos de atletas, direitos e estruturas são transferidos para a nova empresa.
- Entrada de investidores -> A SAF pode vender ações e captar recursos no mercado.
- Organização das dívidas -> A lei prevê mecanismos específicos para pagamento estruturado dos débitos.
Onde entra a assessoria especializada?
Aqui está um dos pontos mais importantes, e muitas vezes negligenciado.
A criação de uma SAF não é apenas um ato formal. É uma operação complexa, que envolve direito societário, desportivo, tributário e financeiro.
Uma assessoria especializada é essencial para:
- Garantir segurança jurídica em todas as etapas: evita erros na constituição da empresa e na transferência de ativos;
- Analisar riscos e estruturar o modelo ideal: nem toda SAF precisa seguir o mesmo formato;
- Conduzir negociações com investidores: protegendo os interesses do clube e assegurando equilíbrio contratual;
- Organizar corretamente as dívidas: aproveitando os mecanismos legais sem comprometer a operação;
- Evitar problemas futuros: muitos erros só aparecem depois, e podem custar caro.
O risco de fazer sem orientação
Sem acompanhamento especializado, o clube pode:
- Assinar contratos desvantajosos;
- Transferir ativos de forma inadequada;
- Perder controle sobre decisões estratégicas;
- Enfrentar conflitos jurídicos no futuro.
Ou seja, o que deveria ser uma solução pode se transformar em um novo problema.
O clube deixa de existir?
Não. A associação continua existindo e, em muitos casos, permanece como acionista da SAF. O que muda é a forma de gestão do futebol, que passa a ser empresarial.
Em resumo: A SAF é uma oportunidade real de transformação no futebol brasileiro, mas não é simples, nem automática.
Trata-se de uma mudança estrutural que exige planejamento, estratégia e, principalmente, suporte técnico qualificado.
Contar com uma assessoria especializada não é um custo extra. É um investimento que protege o clube, viabiliza o projeto e aumenta as chances de sucesso.
Criar uma SAF é muito mais do que abrir uma empresa, é reestruturar o futuro do clube. E fazer isso com segurança faz toda a diferença.
Fabiana Nardini
Advogada Desportiva e Especialista em Direito no Futebol, com atuação estratégica em consultoria e assessoria jurídica para atletas, clubes e gestores. Integra a prática jurídica ao treinamento mental de atletas e à análise de desempenho, unindo segurança jurídica, gestão e performance esportiva. Membro da Comissão de Direito Desportivo da OAB/AL. Parcerias com a Federação Alagoana de Futebol 7 (@faf7alagoas), a Federação Alagoana de Beach Soccer (@federacaoalagoanabeachsoccer) e a Liga Alagoas Escolar (@ligaalalagoas), fortalecendo a governança e o desenvolvimento do esporte em Alagoas.



