A Companies House, autoridade responsável pelo registro de empresas no Reino Unido, formalizou nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, o retorno de John Textor ao comando da Eagle Bidco. A atualização dos registros oficiais assegura que o empresário norte-americano recuperou o controle da rede de clubes que compõe a sua holding, incluindo a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo.
A formalização ocorre apenas um dia após a divulgação de que Textor havia sido afastado da liderança da companhia. Logo após a notícia do afastamento, o empresário emitiu uma nota oficial afirmando que já havia readquirido o controle, versão que foi ratificada agora pelos documentos do órgão britânico.
Os bastidores da disputa com o fundo Ares
A instabilidade no comando da Eagle é reflexo de uma disputa direta entre John Textor e o fundo de investimentos Ares Management. O conflito tem raízes financeiras: em 2022, a Ares emprestou US$ 450 milhões ao empresário para a aquisição do Lyon, na França, e o montante ainda não foi quitado.
O estopim para a tentativa de intervenção da Ares ocorreu na última semana de janeiro, quando Textor destituiu os diretores Stephen Welch e Hemen Tseayo. A dupla atuava como conselheira da Eagle Bidco e divergia das decisões recentes do americano, especialmente em relação ao modelo de aporte financeiro proposto para o pagamento de dívidas urgentes da SAF do Botafogo.
Manobras internas e a Assembleia Geral
A estratégia de Textor para retomar o poder envolveu a remoção desses diretores antes da realização da Assembleia Geral do Eagle Football Group. Ao invalidar os votos de Welch e Tseayo, o empresário buscou participar sozinho da votação para destituir a atual diretoria da holding — composta por Michele Kang e Michael Gerlinger — e solicitar sua própria reintegração oficial.
Apesar das turbulências no nível da holding internacional, a situação do Botafogo no Brasil possui camadas adicionais de proteção jurídica. Em outubro de 2025, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma liminar que mantém John Textor no controle do clube alvinegro até que ocorra uma nova análise do processo envolvendo a Eagle. Anteriormente, em setembro do mesmo ano, o empresário havia chegado a declarar que as disputas com os demais sócios da rede haviam sido encerradas, o que não se confirmou diante dos eventos recentes.
Com a atualização na Companies House, o cenário aponta para uma vitória momentânea de Textor na estrutura de governança britânica, garantindo a continuidade de sua gestão sobre os ativos esportivos do grupo enquanto as negociações e disputas com os credores prosseguem.
Fonte: ge.Globo.



