A tensão que marcava as negociações entre o Futebol Forte União (FFU) e os 18 clubes da Série B foi significativamente reduzida nesta segunda-feira (9), após um encontro virtual que resultou em um acordo sobre a distribuição de receitas. O entendimento estabelece valores imediatos e projeta a arquitetura financeira para os próximos ciclos, trazendo maior previsibilidade ao bloco.
Cotas definidas e descontos operacionais
Cada clube filiado ao FFU na Série B receberá R$ 15,5 milhões pela temporada de 2026. Desse montante, R$ 600 mil serão retidos para custear a produção das partidas, deixando R$ 14,9 milhões líquidos às agremiações. A cifra se aproxima do que será pago a Náutico e São Bernardo, que negociaram seus direitos de forma independente com a CBF e terão seus confrontos como mandantes distribuídos nas plataformas do Grupo Globo.
Essa equiparação foi um ponto crítico nas discussões da semana anterior, quando dirigentes questionavam um possível desequilíbrio financeiro entre os clubes do bloco e os que negociaram separadamente.
Arquitetura de receitas para 2027 em diante
Além da definição imediata, a assembleia confirmou o modelo de distribuição para os próximos ciclos. A partir de 2027, a estrutura prevê que:
- 85% das receitas fiquem com os integrantes da Série A
- 15% das receitas sejam destinadas à Série B
Essa proporção era uma das reivindicações centrais do manifesto divulgado pelos clubes na sexta-feira (6), que questionava a percepção de que a segunda divisão estava em plano inferior em relação à elite.
Logística coberta pela CBF sob condições
Outro avanço relevante envolve o custeio de despesas de viagem. A CBF assumirá esses custos, desde que os clubes cumpram as normas do Fair Play Financeiro anunciadas pela entidade. Os valores variam conforme a distância percorrida:
- Equipes do Nordeste: cerca de
R$ 3 milhões - Equipes de Goiás e São Paulo: cerca de
R$ 2 milhões
Contexto da crise que precedeu o acordo
O manifesto divulgado na sexta-feira (6) refletia a frustração dos clubes com a condução das negociações comerciais e a falta de previsibilidade nos repasses. Havia a percepção de que a segunda divisão estava sendo preterida em relação à elite, especialmente considerando a arrecadação mais robusta obtida com a Série A.
Em resposta, a direção do FFU argumentou que não houve retração nas receitas. A entidade citou que, em 2025, cada filiado da Série B recebeu R$ 14,3 milhões, montante superior ao do ano anterior, e que os pagamentos foram concluídos dentro do calendário previsto.
Estabilidade renovada e próximos passos
Com a nova garantia financeira para 2026, o ambiente se tornou mais estável. O presidente do FFU, Alessandro Barcellos, afirmou que o diálogo permitiu aperfeiçoar o sistema preservando a consistência do projeto e mantendo os clubes como prioridade.
Participam do FFU na Série B: América-MG, Athletic-MG, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário-PR, Ponte Preta, Sport e Vila Nova.
Apesar do avanço, outras demandas apresentadas no manifesto devem seguir em debate nos próximos encontros. Conforme relatou um dos presidentes presentes, os assuntos remanescentes serão tratados na sequência das discussões internas.
Fonte: MKT Esportivo.



