A transição para o modelo de Sociedade Anônima Desportiva (SAD) — estrutura similar à SAF brasileira — não foi suficiente para estancar a crise no Leixões Sport Club. O tradicional clube português, atualmente gerido pelo grupo norte-americano Aliya Capital Partners, permanece mergulhado em dificuldades financeiras e administrativas que agora podem escalar para a justiça dos Estados Unidos.
Mesmo sob nova gestão desde julho do ano passado, o clube acumula sanções da Fifa devido ao descumprimento sistemático de obrigações contratuais com atletas, outros clubes e credores. Essa situação tem resultado em sucessivos transfer bans, punição que impede o registro de novos jogadores e compromete diretamente a competitividade da equipe.
O impasse da Recuperação Judicial
Para tentar contornar o cenário de insolvência e evitar o bloqueio de registros, o Leixões apresentou recentemente seu quarto plano de Recuperação Judicial (RJ). Embora a proposta tenha sido deferida judicialmente, a decisão ainda cabe recurso, e o clima entre os credores é de desconfiança. Existe uma suspeita latente de fraude no processo, o que motivou um dos emprestadores a iniciar uma investigação formal.
Implicações internacionais e a mira da SEC
O desdobramento mais crítico envolve a origem dos investidores. Caso as investigações comprovem irregularidades no plano de recuperação, o credor já sinalizou que denunciará o caso à Securities and Exchange Commission (SEC), o órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos.
Se a denúncia avançar, o grupo investidor poderá ser atraído para um litígio em solo americano, além dos processos já enfrentados em Portugal. Isso coloca a gestão sob um risco jurídico transatlântico, evidenciando que a mudança para o modelo de clube-empresa, por si só, não sana problemas fiscais e dívidas antigas se não houver o cumprimento rigoroso das obrigações.
Fonte: Itatiaia.



