O América-MG vive um momento decisivo nos bastidores com a análise de uma proposta para a venda de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A diretoria alviverde trabalha na avaliação de um Memorando de Entendimentos (MoU) relativo à oferta de um fundo de investimentos, mas o documento tem gerado divergências internas. O impasse atual reside na exigência de maior clareza sobre a origem dos recursos financeiros e os detalhes da forma de pagamento.
A proposta é estruturada em três pilares principais: aporte financeiro imediato para sanar dívidas, investimentos em infraestrutura e uma parceria imobiliária considerada inovadora no mercado esportivo brasileiro.
Detalhes da oferta financeira e ativos
O fundo de investimentos manifestou o interesse de adquirir 80% das ações da SAF do América. O valor proposto gira em torno de R$ 187 milhões, montante que seria integralmente destinado à quitação total das dívidas tanto da Associação quanto da própria estrutura da SAF.
Este valor é estrategicamente próximo ao passivo não circulante do clube, que em maio de 2025 estava calculado em aproximadamente R$ 186,6 milhões. Além do aporte financeiro, a negociação prevê:
- CT Lanna Drumond: Transferência do centro de treinamento como ativo para a SAF.
- Melhorias estruturais: Compromisso de aprimoramento dos campos e implementação de novos alojamentos no CT.
Modernização do Independência e exploração comercial
A gestão do Estádio Independência também é um ponto central do projeto. Tanto os investidores quanto parte da diretoria concordam com a necessidade de mudanças operacionais na arena. A principal medida em pauta é a instalação de gramado sintético.
A mudança para o piso artificial visa transformar o estádio em um espaço multiuso, permitindo a realização de uma quantidade maior de eventos, como shows e espetáculos, sem prejudicar o calendário esportivo. O objetivo é diversificar as fontes de receita e aumentar a rentabilidade da arena.
O diferencial imobiliário em Santa Luzia
O aspecto mais inovador da proposta envolve um terreno em Santa Luzia de propriedade do América. O plano é incluir essa área nas negociações para a construção de empreendimentos imobiliários em parceria com o fundo de investimentos e uma empresa terceirizada do setor de construção.
Nesse modelo, o clube e os investidores receberiam participações sobre a venda de casas e apartamentos construídos no local. Essa estratégia busca gerar uma receita recorrente e patrimonial que foge do modelo tradicional de exploração apenas do futebol.
O papel do Memorando de Entendimentos (MoU)
Atualmente, o processo está na fase de análise do Memorando de Entendimentos (MoU) pelo departamento jurídico. Este é um documento preliminar que formaliza a intenção de negócio e estabelece a linha de ação entre as partes, embora não defina todas as minúcias do contrato final.
A assinatura do MoU é vista como um passo fundamental para o avanço das tratativas, mas a diretoria alviverde mantém cautela, estudando pendências e buscando garantias sobre a idoneidade e a viabilidade do fluxo financeiro proposto pelo investidor.
Fonte: Itatiaia.



