O Santos Futebol Clube está diante de uma proposta que pode mudar definitivamente os rumos de sua gestão. O presidente Marcelo Teixeira reuniu-se na última semana com representantes do grupo norte-americano Saint Dominique e tem em mãos uma oferta não vinculante que totaliza R$ 2 bilhões para a aquisição de 80% das ações da futura Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Peixe.
O montante oferecido divide-se em duas frentes: R$ 1 bilhão em aporte direto de capital e a responsabilização total pela dívida do clube, estimada em outro R$ 1 bilhão. Caso o mandatário santista aceite a oferta, ele concederá ao grupo um período de exclusividade de 60 a 90 dias para a realização de uma diligência detalhada (due diligence) nas contas da instituição.
Quem é o grupo Saint Dominique e qual o perfil da gestão?
O Saint Dominique é um fundo privado de investimentos com sede nos Estados Unidos, cuja capital provém da fortuna da família Santo Domingo. O grupo tem um histórico de investimentos diversificados, controlando o Grupo Valorem (que detém a TV Caracol na Colômbia), além de participações na AB Inbev e 10% do Washington Commanders, franquia da NFL.
Diferente de modelos adotados por outros clubes brasileiros, a proposta do grupo prevê uma administração estritamente profissional. A ideia é utilizar executivos de mercado para a gestão do dia a dia, sem a figura de um proprietário “celebridade” ou de grande exposição pública à frente do projeto.
O entrave estatutário e o caminho para a concretização
Apesar da vultosa oferta, o processo para que o Santos se torne uma SAF majoritária é lento e exige mudanças burocráticas profundas. Atualmente, o estatuto do clube limita a venda a apenas 49% das ações. Para que o negócio de 80% avance e a proposta se torne vinculante, o Santos precisa:
- Reforma Estatutária: Alterar as regras internas para permitir a venda do controle majoritário.
- Votações: A mudança precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo e, posteriormente, pela Assembleia Geral de Sócios.
- Diligência: O grupo investidor precisa validar todos os dados financeiros apresentados pelo clube.
O advogado Rodrigo Monteiro de Castro, um dos autores da Lei da SAF no Brasil, está à frente dos esforços para a modernização do estatuto santista.
Preservação da identidade e tradição
Um ponto fundamental da proposta do Saint Dominique é a inclusão de cláusulas de proteção à tradição do Peixe. O contrato prevê vetos explícitos a qualquer tentativa de mudança no nome, hino oficial, cores básicas do uniforme e, principalmente, na localização do clube. A intenção dos investidores é manter a essência da instituição enquanto profissionalizam a operação financeira e esportiva.
A presidência do Santos tem dado sinais de cautela e não demonstra pressa para responder, enquanto o grupo investidor manifesta o desejo de acelerar as tratativas e deve enviar representantes ao Brasil nos próximos meses para conhecer de perto a estrutura alvinegra.



