O Ministério Público recebeu uma denúncia anônima nos últimos dias apontando suposta gestão temerária no São Paulo, e o clube já enviou sua defesa em resposta a um pedido de esclarecimentos. O Tricolor busca o arquivamento do procedimento preliminar, argumentando que a acusação é genérica e sem elementos concretos para investigação. O MP analisa se há base para instaurar um inquérito formal, enquanto o advogado Guilherme Salutti, representante do clube, enfatiza a falta de individualização de condutas na denúncia, que cita quatro situações: déficit de R$ 287,64 milhões em 2024, proposta de fundo para categorias de base, vendas de jogadores consideradas baixas e relação de Julio Casares Filho com um empresário de futebol.
Salutti destacou que o MP está avaliando se a denúncia tem um “mínimo de concretude” para prosseguir: “É só um torcedor inflamado? Nossa resposta foi feita ontem à noite”. A defesa detalha cada ponto, reforçando transparência e ausência de irregularidades, em um momento sensível para a gestão do Tricolor.
Pontos da acusação e contra-argumentos
O déficit de 2024 não é atribuído a conduta específica, impossibilitando uma defesa precisa: “Não tem individualização de conduta e autoria. Não tem nem como a gente se defender”. Para as vendas de atletas como Matheus Alves, Lucas Ferreira e Henrique Carmo, o São Paulo apresentou comparações com transações semelhantes: Vanderlan (Palmeiras, €4,5 milhões), Thalys (€6 milhões), Alemão (Internacional) e Isaque (Fluminense, €10 milhões), demonstrando valores alinhados ao mercado. “O atleta vale o que estão pagando nele, dependendo da disponibilidade de comprador e vendedor”.
A proposta de fundo para Cotia não avançou e provavelmente nem será votada no Conselho Deliberativo, devido a resistência interna. Já a relação de Julio Casares Filho com o empresário Aref Abdul Latif refere-se a uma empresa de produtos pet registrada em 2020, abandonada pela pandemia sem qualquer movimentação financeira. Aref representa crianças sub-13, 12 e 11 aprovadas via compliance do clube, e o único caso no profissional foi Felipe Alves, requisitado por Rogério Ceni. O episódio foi investigado internamente sem encontrar conflitos de interesse.
Procurado, o Ministério Público disse:
“A promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social está apurando os fatos, o promotor de Justiça Paulo Destro está analisando as informações encaminhadas pelo SPFC.”

Fonte: ge.Globo.



