O Avaí vive um momento de dualidade financeira: recebeu proposta de investimento para se transformar em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), mas enfrenta pedidos de falência de credores devido ao não pagamento de uma parcela de R$ 350 mil da Recuperação Judicial, com vencimento em 1º de dezembro. O clube, ainda na estrutura associativa, afirma que os pagamentos estão regulares e aguarda intimação judicial para se defender, enquanto a proposta de SAF segue para análise do Conselho Deliberativo e dos sócios.
O presidente Bernardo Pessi, que já sinalizava a chegada da proposta no final de novembro, reforça que a decisão não é individual: “Ninguém vai vender o Avaí. Quem vai decidir sobre a possibilidade de investimento via SAF é o torcedor do Avaí Futebol Clube. Meu papel será encaminhar a proposta assim que recebê-la”. Para avançar, o clube precisa abrir a SAF, que não pode abranger patrimônio imobiliário e obriga o investidor a assumir as dívidas existentes.
Confira a nota do Avaí na íntegra
“O Avaí Futebol Clube recebeu termos gerais de uma proposta de investimento para a transformação do seu departamento de futebol em SAF. Detalhes do projeto serão agora discutidos pelo Conselho Deliberativo e pelos sócios do Leão da Ilha no seu devido tempo. Está definido que a eventual criação da SAF não pode abranger qualquer patrimônio imobiliário do clube e que o investidor terá a responsabilidade pelo pagamento das dívidas do Avaí.
O próximo passo é a abertura de uma SAF 100% do Avaí Futebol Clube, condição para que seja possível receber uma proposta de fato.
A apresentação do Avaí a potenciais investidores seguiu parâmetros previamente estabelecidos pelo Conselho Deliberativo, que discute o tema há anos. Em 2023, uma das conclusões da comissão que analisou as finanças do Clube foi sobre a necessidade de estudar a criação de uma SAF para viabilizar a captação de recursos. O assunto voltou a ser tema de uma comissão de estudos e de seminários que definiram critérios mínimos para qualquer avanço, como a proteção integral do patrimônio do clube.
A análise do assunto deve ocorrer agora em Assembleia Geral e no Conselho Deliberativo, instâncias do Clube responsáveis pelas discussões sobre a SAF no Avaí.”
Recuperação Judicial em risco
Nesta segunda-feira (9), ao menos dois escritórios de advocacia — representando 16 credores — protocolaram pedidos de falência na Vara Regional de Recuperações Judiciais, Falências e Concordatas da Capital, alegando descumprimento do plano. Outro escritório, por um credor, exige regularização urgente sob pena de caracterização de violação. O juiz analisará os pedidos em sequência.
O Avaí rebate com surpresa: “O processo de Recuperação Judicial do Avaí é desde sempre conduzido de forma séria e de acordo com todos os parâmetros legais. A proposta apresentada aos credores foi aprovada em primeira assembleia e os pagamentos vêm sendo feitos de forma regular desde a homologação do acordo”. O clube aguarda intimação para se manifestar.
O processo começou em abril de 2023, com pedido deferido e suspensão de ações contra o clube. Em fevereiro de 2024, assembleia aprovou o plano para quitar R$ 43 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas ao longo de 12 anos. A homologação ocorreu em dezembro de 2024, iniciando os pagamentos conforme acordado.
Essa conjuntura testa a resiliência do Leão da Ilha, onde a SAF pode ser a salvação financeira, mas a falência ameaça o futuro imediato.
Confira a reposta do Avaí na íntegra:
“O processo de Recuperação Judicial do Avaí é desde sempre conduzido de forma séria e de acordo com todos os parâmetros legais. A proposta apresentada aos credores foi aprovada em primeira assembleia e os pagamentos vêm sendo feitos de forma regular desde a homologação do acordo. Diante disso, vê com surpresa a informação e aguarda intimação para se pronunciar no processo.”



