A Squadra Sports, primeira rede multiclubes fundada no Brasil, apresenta estratégia diferenciada em relação aos modelos de holding que dominam o futebol nacional. Diferente de redes internacionais como Grupo City e Eagle Football que apostam em divisão de base de longo prazo ou em clubes de massa para entretenimento e venda de ingressos, a Squadra busca “o meio do caminho”, conforme explicou seu fundador Guilherme Bellintani em entrevista exclusiva à Trivela. A empresa, que opera Londrina (90% da SAF), Linense-SP (85% da S.A.), além de administrar categorias inferiores de Ypiranga-BA e Conquista-BA, e detém participação em VF4-PB, aposta em jogadores “pré-prontos” entre 18 e 23 anos — atletas formados em clubes de Série A e B que não possuem espaço no time principal. O objetivo é se tornar o maior exportador de “pé de obra” do país, com projetos que grandes holdings não priorizam.
A estratégia de valorização
A Squadra Sports posiciona-se em espaço específico do mercado de transferências: atletas que foram desenvolvidos por clubes de elite mas que não encontram oportunidade no time profissional principal. Bellintani explica que a dinâmica tradicional de holding oferta duas alternativas extremas — ou investir massivamente em formação de base desde categorias mirim (buscando descobrir “Endricks” ou “Neymars”) ou focar em clubes de grande torcida com aquisição de atletas maduros consagrados. A Squadra rejeita ambas as abordagens.
A estratégia de “comer pelas beiradas”, conforme Bellintani, significa buscar “ativo esportivo que os grandes clubes não estão aproveitando”. Exemplo prático: o zagueiro Yago Lincoln, de 22 anos, foi formado no Ceará; o volante Zé Breno, de 21, ainda era vinculado ao Vitória quando emprestado ao Londrina. Ambos eram atletas que grandes clubes mantinham contratados sem oferecer competição regular — investimento que os clubes de origem já haviam realizado seria “poupado” pela Squadra.
O mecanismo de viabilização é duplo: empréstimo para valorização do atleta (permitindo que clube original o observe em competição regular) ou negociação definitiva mantendo a equipe formadora com percentual das futuras vendas. Essa configuração oferece ao clube de origem a possibilidade de recuperar investimento em formação caso o atleta seja vendido posteriormente, enquanto a Squadra não arca com custo de formação — “não precisei demorar oito anos para formar”, nas palavras de Bellintani.
A aposta em jogadores “pré-prontos” de 18 a 23 anos responde à realidade de que formação de atleta em grande clube é processo custoso (oito anos ou mais) e que frequentemente não gera receita proporcional ao investimento. A Squadra captura o jogador que já passou por filtros técnicos rigorosos de instituições estabelecidas, economizando em custo de desenvolvimento enquanto aproveita o atleta que possui nível competitivo demonstrado mas que não teve oportunidade de atuar regularmente.
Estrutura operacional diversificada
A participação da Squadra em seus cinco clubes reflete uma estratégia calibrada conforme características de cada instituição. Londrina (90% da SAF, cerca de R$ 100 milhões de investimento até 2029) e Linense-SP (85% da S.A., R$ 27 milhões em seis anos, potencial de R$ 48 milhões de investimento em caso de acesso à elite do Paulista) são operações focadas em competição profissional com atletas pré-prontos e geração de receita. Ambos os clubes funcionam como plataformas de validação — oportunidade para o jogador provar valor em competição regular, permitindo posterior revenda com agregação de valor.
Conquista-BA, Ypiranga-BA e VF4-PB operam sob lógica distinta. Essas instituições focam em desenvolvimento de categorias de base sem custos financeiros altos (porque trabalham com categorias inferiores sub-17 e menores). Funcionam como “alimentadores” do sistema: desenvolvem jovens talentos que são oferecidos aos clubes de Série A e B parceiros, criando pipeline de atletas que retornam para Londrina ou Linense depois de ganhar experiência em competições regulares.
Essa estrutura cria ciclo de “clientes invertidos”, na linguagem de Bellintani. Clubes de Série A e B que cedem atleta pré-pronto de 18-23 anos para Londrina/Linense também recebem jovens em desenvolvimento de categorias inferiores de Conquista, Ypiranga e VF4. A Squadra funciona como uma intermediária que conecta demandas diferentes: grandes clubes precisam de espaço para desenvolver categorias de base; Squadra oferece essa infraestrutura; em troca, Squadra tem acesso a atletas pré-prontos que os grandes clubes não aproveitam.
Exemplo concreto: o jogador Adriel, destaque em sub-20 do Sport, veio de desenvolvimento em VF4. Esse modelo distribui “pé de obra”, segundo Bellintani; 45 jogadores entre 14 e 25 anos já estão em equipes fora da rede). Neste momento, o objetivo é chegar a 2029 com 750 atletas em clubes próprios e 250 em outras instituições — cifra que representaria escala significativa de redistribuição de talento no mercado brasileiro.
Fonte: Trivela.



