O Ferroviário desistiu de romper com o Grupo Makes, detentor da SAF do clube coral, após ter seus pedidos atendidos. Em nota divulgada nesta segunda-feira (26), o clube informou que avançou com as documentações pendentes para a conclusão do registro da Sociedade Anônima do Futebol, enquanto a investidora vem quitando pendências e garantindo os aportes previstos. O entendimento foi construído entre a Makes Ltda., sócia majoritária e gestora do Ferroviário SAF, presidida por Pedro Roxo, e o clube associativo, representado pela Diretoria Executiva, presidida por Rodger Raniery, e pelo Conselho Deliberativo, presidido por Cássio Cacau.
O acordo encerra um ciclo de desgaste que chegou ao ponto de ruptura. Em agosto, o presidente do Ferroviário alegou que a SAF não havia quitado as dívidas com o clube, e uma Assembleia chegou a autorizar a busca pelo rompimento com a empresa. Em setembro, o clube estabeleceu novas exigências: recebeu R$ 300 mil antecipadamente e cobrou quitação de dívidas, melhorias na estrutura do clube e a contratação de um executivo de futebol. A assembleia de 27 de agosto de 2026 foi o marco formal do processo — nela, os associados autorizaram a Diretoria Executiva e o Conselho Deliberativo a adotar as medidas necessárias para ajustar o acordo.
Para Rodger Raniery, o realinhamento encerra um período de incerteza e devolve a confiança no projeto. “Eu nunca escondi da torcida o que penso. Houve um momento em que eu disse que não acreditava mais no projeto, porque as coisas não estavam andando como precisavam. Com a autorização dos associados, sentamos à mesa e cada lado fez a sua parte. O clube resolveu as documentações que faltavam, e a SAF quitou as pendências e garantiu os investimentos. O patrimônio do Ferroviário está protegido e os aportes estão chegando. Com tudo o que foi realinhado e já feito, eu volto a acreditar neste projeto, e acredito com a tranquilidade de quem viu as coisas acontecerem.”
O que mudou na prática: do comodato ao aluguel pago ao clube
Cinco pontos foram ajustados no acordo, e um deles altera a relação patrimonial entre as partes. As estruturas do Ferroviário Atlético Clube deixam de estar cedidas em comodato — regime em que o uso é emprestado sem contraprestação financeira — e o Ferroviário SAF passará a pagar um valor mensal ao clube pelo uso das estruturas destinadas ao futebol. Na prática, o clube associativo passa a ter receita recorrente em vez de ceder seu patrimônio sem retorno, o que reduz o risco de a associação ficar descapitalizada enquanto o futebol é operado pela empresa.
O projeto de modernização também foi revisado para concentrar os investimentos nas melhorias mais importantes para o futebol e para o clube, com as obras mantidas no acordo e somadas ao novo pagamento mensal. Além disso, o Ferroviário SAF vem regularizando os pagamentos e as dívidas que estavam em aberto, garantindo a continuidade dos investimentos, e a entrada de novos investidores no quadro social da Makes potencializou a capacidade financeira do projeto — fator que, segundo o clube, tem sustentado os aportes em dia.
Com o registro encaminhado, o Ferroviário se prepara para a temporada de 2027. O clube está fora da Taça Fares Lopes — competição que deixou de disputar por falta de verbas —, o que concentra o planejamento na próxima temporada. Para a SAF, o episódio deixa uma lição que vale para o modelo como um todo: acordo assinado não basta. O que sustenta uma SAF é a capacidade de cumprir prazos e obrigações de forma verificável, porque é justamente essa capacidade que, quando falha, transforma a desconfiança em assembleia e a assembleia em rompimento.
Fonte: ge.Globo; Diário do Nordeste.



