A soma das dívidas dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro superou a marca de R$ 25 bilhões, considerando os balanços financeiros entregues pelas equipes até 31 de dezembro de 2025. O Corinthians lidera o ranking de endividamento do futebol nacional, com um débito total de R$ 2,76 bilhões — dos quais R$ 980 milhões, ou 35,51%, têm vencimento a curto prazo, ou seja, precisam ser pagos em até 12 meses. O clube do Parque São Jorge é seguido pelo Atlético-MG, com R$ 2,66 bilhões, e pelo São Paulo, que fecha o top-3 com R$ 2,45 bilhões. Na Série B, quem lidera é o Sport, com R$ 422 milhões e larga vantagem sobre o segundo colocado, o rival Náutico.
O peso do curto prazo e a situação de cada clube da Série A
O dado que mais chama atenção entre os líderes não é o tamanho da dívida, mas a velocidade com que ela vence. O Atlético-MG apresenta a situação mais delicada: R$ 1,36 bilhão, o equivalente a 51,13% do total, tem vencimento em até um ano. O Botafogo, quarto colocado geral com R$ 2,01 bilhões, é o caso mais extremo nesse aspecto — R$ 1,35 bilhão, ou 67,16% do débito, expira em até 12 meses. Na prática, quanto maior a fatia de curto prazo, menor o fôlego do clube para reorganizar as contas: é esse dinheiro que precisa sair do caixa imediatamente, competindo com salários, direitos de imagem e o custeio do futebol.
Completam o ranking da Série A: Palmeiras (R$ 1,58 bilhão), Cruzeiro (R$ 1,36 bilhão), Internacional (R$ 1,27 bilhão), Flamengo (R$ 1,26 bilhão), Santos (R$ 1,23 bilhão), Vasco (R$ 1,10 bilhão), Fluminense (R$ 1,04 bilhão), Grêmio (R$ 936 milhões), Bragantino (R$ 772 milhões), Vitória (R$ 408 milhões), Bahia (R$ 407 milhões), Athletico-PR (R$ 405 milhões), Coritiba (R$ 185 milhões), Chapecoense (R$ 174 milhões), Remo (R$ 37 milhões) e Mirassol (R$ 11 milhões). A distância entre o topo e a base da tabela é de mais de 250 vezes: o Corinthians deve o equivalente a 250 vezes o endividamento do Mirassol.
Série B, atrasos salariais e clubes em recuperação judicial
Na segunda divisão, o Sport lidera com R$ 422 milhões, seguido por Náutico (R$ 292 milhões), Fortaleza (R$ 291 milhões), América-MG (R$ 283 milhões), Avaí (R$ 268 milhões), Ponte Preta (R$ 240 milhões), Ceará (R$ 217 milhões), Vila Nova (R$ 175 milhões), Novorizontino (R$ 167 milhões), Goiás (R$ 114 milhões), Botafogo-SP (R$ 89 milhões), São Bernardo (R$ 77 milhões), Athletic (R$ 72 milhões), Londrina (R$ 60 milhões), Atlético-GO (R$ 42 milhões), Cuiabá (R$ 40 milhões), Criciúma (R$ 37 milhões), Juventude (R$ 29 milhões), Operário (R$ 4,2 milhões) e CRB (R$ 0,9 milhão).
O levantamento também revela o quadro de inadimplência corrente. Com dados atualizados em 30 de julho de 2026 — informações que as equipes são obrigadas a prestar ao menos três vezes por ano —, 25 clubes das Séries A e B declararam algum atraso de pagamento. Além disso, 16 equipes das duas primeiras divisões estão em recuperação judicial ou em plano de pagamento de credores, sendo 7 enquadradas nas duas situações e 10 pertencentes à Série A. A recuperação judicial é o mecanismo pelo qual a Justiça organiza a renegociação das dívidas de uma instituição que não consegue honrar seus compromissos, permitindo que ela continue funcionando enquanto reorganiza as finanças.
O cenário se conecta diretamente às cobranças do fair play financeiro. Na última segunda-feira (19), a Anresf — agência criada pela CBF para fiscalizar a saúde financeira dos clubes — deu prazo de 45 dias para Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo quitarem dívidas por transferências de jogadores, sob risco de proibição de registrar novos atletas. Três dos quatro clubes citados aparecem entre os seis maiores endividados do país, o que ajuda a explicar a pressão: o endividamento elevado reduz a margem de manobra justamente em um momento em que o regulamento passa a punir atrasos com prazos curtos e sanções concretas.
Ranking das dívidas dos clubes da Série A
- Corinthians: R$ 2,76 bilhões
- Atlético-MG: R$ 2,66 bilhões
- São Paulo: R$ 2,45 bilhões
- Botafogo: R$ 2,01 bilhões
- Palmeiras: R$ 1,58 bilhão
- Cruzeiro: R$ 1,36 bilhão
- Internacional: R$ 1,27 bilhão
- Flamengo: R$ 1,26 bilhão
- Santos: R$ 1,23 bilhão
- Vasco: R$ 1,10 bilhão
- Fluminense: R$ 1,04 bilhão
- Grêmio: R$ 936 milhões
- Bragantino: R$ 772 milhões
- Vitória: R$ 408 milhões
- Bahia: R$ 407 milhões
- Athletico-PR: R$ 405 milhões
- Coritiba: R$ 185 milhões
- Chapecoense: R$ 174 milhões
- Remo: R$ 37 milhões
- Mirassol: R$ 11 milhões
Ranking das dívidas dos clubes da Série B
- Sport – R$ 422 milhões
- Náutico – R$ 292 milhões
- Fortaleza – R$ 291 milhões
- América-MG – R$ 283 milhões
- Avaí – R$ 268 milhões
- Ponte Preta – R$ 240 milhões
- Ceará – R$ 217 milhões
- Vila Nova – R$ 175 milhões
- Novorizontino – R$ 167 milhões
- Goiás – R$ 114 milhões
- Botafogo-SP – R$ 89 milhões
- São Bernardo – R$ 77 milhões
- Athletic – R$ 72 milhões
- Londrina – R$ 60 milhões
- Atlético-GO – R$ 42 milhões
- Cuiabá – R$ 40 milhões
- Criciúma – R$ 37 milhões
- Juventude – R$ 29 milhões
- Operário – R$ 4,2 milhões
- CRB – R$ 0,9 milhão
Fonte: Band.



