O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou nesta terça-feira (29) um acordo junto aos gestores de América, Atlético e Cruzeiro: a trinca dos clubes será patrocinada por empresas do estado, com valor total de R$ 32 milhões. A reunião e o anúncio ocorreram na Cidade Administrativa, sede do governo estadual, na Região Metropolitana de Belo Horizonte — e representam uma resposta institucional ao vácuo de receitas aberto pela proibição das casas de apostas no futebol brasileiro.
As patrocinadoras serão Cemig, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Em contrapartida, Coelho, Galo e Raposa terão compromissos como investimento no futebol feminino e ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda. “É um ato de responsabilidade com o futebol de Minas Gerais, um ator de responsabilidade com as torcidas. Os contratos serão assinados nos próximos dias. Serão 15 milhões de reais para o Atlético, 15 milhões de reais para o Cruzeiro e 2 milhões de reais para o América”, detalhou o governador. O acordo foi finalizado em encontro que reuniu Simões com Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro; Renato Salvador, investidor do Atlético; e Marcus Salum, coordenador do grupo de gestão do América. A estimativa é que o valor total represente cerca de um terço do que era pago pelas empresas de apostas — proibidas de realizar publicidade após a medida provisória assinada pelo governo federal.

O tamanho do buraco deixado pelas bets
O movimento do governo mineiro dá a medida do desafio do futebol brasileiro. Segundo a consultoria Convocados, as casas de apostas investem cerca de R$ 1,03 bilhão por ano em patrocínios na Série A do Campeonato Brasileiro — e, com a proibição, esse fluxo de recursos está com os dias contados.
O cronograma da medida provisória avança semana a semana. Desde a publicação da MP, ficaram vedados novos depósitos ou aportes financeiros por parte dos apostadores, além da veiculação de qualquer nova peça publicitária de apostas. Até as 23h59 de 5 de outubro, segunda-feira, os apostadores têm prazo para resgatar voluntariamente o dinheiro disponível nas plataformas — e as bets devem retirar todas as peças de propaganda, marketing e publicidade nos meios físicos e digitais, incluindo a remoção das marcas vinculadas aos contratos de patrocínio. A partir de 6 de outubro, terça-feira, os sites e aplicativos das casas de apostas saem do ar; entre 7 e 8 de outubro, começa o levantamento dos saldos remanescentes por CPF.
Na prática, o acordo mineiro chega no momento exato em que as camisas dos clubes precisam deixar de estampar marcas de apostas — mas cobre apenas parte da conta: um terço do que o setor injetava. O restante da lacuna ainda dependerá de outras fontes. Para os mineiros, os contratos assinados nos próximos dias garantirão receita imediata em troca de contrapartidas sociais — um modelo que pode servir de referência para outros estados que acompanham, de perto, a perda da principal patrocinadora do futebol brasileiro.
Fonte: Itatiaia.



