Enquanto a maioria dos clubes brasileiros convive com dívidas milionárias, o Athletico apresenta um cenário raro no futebol nacional: contas em dia, patrimônio sólido e um único compromisso financeiro em andamento — a dívida da reforma da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014. E é justamente essa combinação que leva o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que trabalha para o clube no caso e preside a OAB-PR, a afirmar que o Furacão tem tudo para se tornar uma referência caso decida virar Sociedade Anônima do Futebol. Em entrevista ao podcast Carneiro & Mafuz, ele fez um raio-X da saúde financeira do Rubro-Negro: “O Athletico tem patrimônio líquido de R$ 1 bilhão, ativo imobilizado em perfeitas condições, que não precisa de investimento de nada se vier uma SAF, e tem um endividamento que é o menor no Brasil. A dívida na Arena é a única do Athletico e está equacionada no fluxo orçamentário”, resumiu.
Para entender o tamanho do diferencial, basta comparar com o resto do futebol brasileiro. A maior parte dos clubes vive com dívidas na casa do bilhão de reais, processos na Justiça e folhas de pagamento apertadas. O Athletico, ao contrário, deve faturar cerca de R$ 700 milhões neste ano e figura entre os cinco clubes que mais produziram dinheiro com a venda de jogadores nos últimos dez anos — ao lado de gigantes como Flamengo e Palmeiras. Ou seja: se um investidor procurar hoje um clube “pronto” para receber uma SAF, sem precisar injetar dinheiro para consertar estruturas ou pagar dívidas antigas, o Athletico aparece como um dos casos mais atrativos do país.

Dívida da Arena em reta final e caixa preparado para o futuro
A única pendência financeira do clube está com os dias contados. A dívida da reforma da Arena da Baixada, que chegou a R$ 1,2 bilhão, foi renegociada em 2022 por aproximadamente R$ 600 milhões, em um acordo que também envolveu Prefeitura de Curitiba e Governo do Paraná. Desde então, o Athletico já desembolsou mais de R$ 240 milhões — incluindo uma entrada de R$ 50 milhões em 2023 e parcelas anuais que vêm sendo quitadas rigorosamente em dia. A parte do clube foi dividida em 15 parcelas anuais de R$ 62 milhões, que diminuem ao longo dos anos, e os próximos pagamentos têm um reforço: os cerca de R$ 38 milhões a receber da rescisão do contrato de naming rights com a Ligga Telecom, ganho na Justiça, devem ajudar a cobrir a parcela do ano que vem.
“O novo parcelamento estabeleceu um valor anual que cabe dentro do orçamento do Athletico. Estamos no terceiro ano depois do acordo e tudo foi quitado em dia”, destacou Pereira. Para ele, a melhor solução para eliminar de vez a dívida seria um novo contrato de naming rights — a venda do nome do estádio —, mas o caixa do clube é capaz de manter os pagamentos em dia mesmo sem ele. Na prática, o quadro desenhado pelo advogado mostra um clube que chega à conversa sobre SAFs em posição invertida em relação ao mercado: em vez de buscar um investidor para se salvar, o Athletico seria um ativo pronto para ser valorizado — e é essa matemática que sustenta a tese de que o Furacão tem condições de ser a melhor SAF do mundo.
Comunicado oficial do Athletico Paranaense
Esclarecimentos sobre o financiamento junto à Fomento Paraná
Em razão da divulgação de informações sobre a dívida do Athletico Paranaense junto à Fomento Paraná, o Clube vem a público esclarecer os valores e a atual situação do financiamento.
Em 4 de julho de 2023, o Athletico repactuou o financiamento, estabelecendo saldo devedor de R$ 590.429.828,87, com pagamento em 15 parcelas anuais, acrescidas de juros de 1,9% ao ano mais TJLP.
Desde então, foram realizados os seguintes pagamentos:
– R$ 50.000.000,00 de entrada, com recursos próprios, em 17/07/2023;
– R$ 67.662.706,35 da primeira parcela, com recursos próprios;
– R$ 67.585.744,69 da segunda parcela, sendo R$ 6.980.400,92 provenientes de potencial construtivo e R$ 60.605.343,77 de recursos próprios;
– R$ 62.160.196,43 da terceira parcela, sendo R$ 21.438.019,68 provenientes de potencial construtivo e R$ 40.722.176,75 de recursos próprios.
Também foram destinados à amortização da dívida R$ 75.276.054,34 pelo Estado do Paraná e R$ 49.327.162,30 pelo Município de Curitiba, diretamente à Fomento Paraná, no âmbito do acordo firmado entre as partes relacionado ao adicional do tripartite.
Assim, desde a repactuação, foram efetivamente pagos à Fomento Paraná R$ 372.011.864,11, sendo apenas R$ 28.418.420,60 com recursos provenientes do potencial construtivo.
O saldo atual da dívida, com data-base de 30/09/2026, é de R$ 358.222.226,09. O Athletico possui, ainda, R$ 228.096.813,05 em potencial construtivo, com data-base de 28/08/2026.
Dessa forma, o saldo atual da dívida a ser suportado pelo Athletico com recursos próprios é de R$ 130.125.413,04, a ser pago nas 12 parcelas anuais restantes, acrescidas de juros.
Todos os valores são comprováveis pelos respectivos documentos e registros financeiros.
Presidência e Diretoria
Fonte: UmDois Esportes; YouTube UmDois Esportes | podcast Carneiro & Mafuz; Instagram do Athletico Paranaense.



