O Vasco declarou a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., do empresário Marcos Lamacchia, a vencedora da concorrência pela compra de 90% da nova Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O anúncio foi feito pelo clube na tarde desta sexta-feira (25). A audiência foi realizada na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro — Lamacchia não compareceu e foi representado pelo sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica. A Almirante era a única concorrente no processo.
A venda ocorre por meio de unidade produtiva isolada (UPI), mecanismo previsto no plano de recuperação judicial do Vasco — na prática, uma estrutura que separa os ativos do futebol do restante do clube para permitir a venda dentro do processo de recuperação. A nova sociedade será criada por cisão parcial da SAF atualmente constituída: ela receberá o departamento de futebol e, em cessão definitiva, a propriedade intelectual do Vasco, licenciada de volta ao clube. Com 90% vendidos ao sócio majoritário, os outros 10% ficam com a associação civil Club de Regatas Vasco da Gama, na forma de ações classe A.
Aportes de R$ 500 milhões e regras de longo prazo
O edital da concorrência estabeleceu compromissos financeiros robustos. São exigidos R$ 500 milhões em aportes exclusivos no futebol entre 2026 e 2030 — ou R$ 100 milhões por ano, corrigidos pelo INPC, o índice oficial de inflação. O documento também prevê R$ 120 milhões no centro de treinamento profissional ao longo de dez anos e R$ 30 milhões na base em dois anos. A controladora terá exclusividade em São Januário como mandante até 2030, pelo valor de R$ 3 milhões anuais.
Para participar da concorrência, a Almirante depositou R$ 27 milhões em juízo — valor que cobre os créditos concursais a vencer durante a supervisão judicial — e apresentou garantia bancária de R$ 324 milhões. As regras também protegem o clube no longo prazo: as ações não poderão ser vendidas por dez anos, período em que a nova SAF não poderá distribuir dividendos.
A operação, porém, ainda não está concluída. O negócio precisa passar pelo Conselho Deliberativo e por uma Assembleia Geral Extraordinária do clube — e, como se trata de uma venda dentro da recuperação judicial, também depende da apuração da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão da CBF que fiscaliza a saúde financeira dos clubes. Ou seja: a vitória da Almirante na concorrência é um passo decisivo, mas o caminho até a assinatura definitiva ainda envolve aprovações internas e regulatórias.
Fonte: Sport Insider.



