O Ferroviário estabeleceu novas exigências para manter a parceria com a sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF), controlada pelo Grupo Makes. Para viabilizar a reunião entre as partes, a associação exigiu o depósito antecipado de R$ 300 mil, destinado ao pagamento de dívidas do clube — o valor foi transferido aos cofres do Ferroviário, permitindo a realização do encontro. Durante a conversa, o presidente da associação, Rodger Ranieri, apresentou as condições para a continuidade da parceria.
Entre as exigências estão a reforma da Vila Olímpica Elzir Cabral, sede do clube, a contratação imediata de um executivo de futebol para comandar o departamento da equipe principal e a quitação integral e imediata das dívidas. A associação também cobrou a estruturação administrativa da SAF, com a criação de departamentos jurídico, financeiro e administrativo. Diante das reivindicações, Pedro Roxo — representante do grupo — solicitou que todas as exigências fossem formalizadas em documento para encaminhamento ao Grupo Makes. A expectativa é que a empresa apresente uma resposta até a primeira semana de outubro. Caso as condições estabelecidas não sejam atendidas, o Ferroviário dará continuidade ao processo de distrato, que prevê o encerramento da parceria com o grupo português.
O contexto da crise entre clube e investidor
O embate tem origem em um prazo vencido. O presidente da associação do Ferroviário havia concedido um período de 30 dias — conhecido como prazo de cura — para que a SAF regularizasse suas pendências financeiras com o clube. Com o encerramento do período sem a quitação dos débitos, a associação passou a discutir o rompimento contratual com o Grupo Makes. Uma Assembleia Geral foi convocada para deliberar sobre a possibilidade de solicitar o distrato, e o Conselho Deliberativo do clube chegou a autorizar a busca pelo rompimento, após a SAF não cumprir o prazo para regularizar pendências com o elenco e estruturais.
A nova reunião entre as partes, porém, abriu espaço para uma tentativa de manutenção da parceria, condicionada ao cumprimento das exigências apresentadas pela associação. O futuro da SAF, portanto, depende da resposta do Grupo Makes, prevista para o início de outubro. A SAF do Ferroviário foi oficializada em 18 de novembro de 2025 — e, em 2026, a folha salarial total do clube é de R$ 450 mil por mês, um dos pontos de tensão no relacionamento entre as partes.
Na prática, o caso do Ferroviário ilustra um risco que começa a aparecer nos bastidores das SAFs brasileiras: a parceria com investidores não garante, por si só, a solução dos problemas financeiros de um clube. Quando os aportes prometidos não chegam no ritmo esperado, a associação — que continua existindo ao lado da empresa — retoma o poder de pressão, seja exigindo condições para manter a relação, seja acionando mecanismos contratuais como o distrato. Nos próximos dias, a resposta do Grupo Makes definirá se a parceria segue com investimentos reforçados ou se o Ferroviário volta a administrar sozinho seu futebol.
Fonte: ge.Globo.



