A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sediará uma nova reunião para debater mudanças significativas nas regras do futebol nacional. Entre as propostas em pauta estão o fim do limite de 12 jogos para transferências entre clubes do Campeonato Brasileiro e a criação de times B. As discussões visam modernizar o esporte e adaptar o modelo brasileiro a práticas já adotadas em ligas europeias.
As ideias foram apresentadas por Guilherme Bellintani, proprietário da SAF do Londrina. O empresário participou de um encontro prévio na CBF, nesta segunda-feira (21), onde as sugestões ganharam força para serem formalmente debatidas pelos clubes. A expectativa é que as propostas voltem à mesa em breve.
O que muda com o fim da restrição
Hoje, a regra funciona assim: um jogador que atua em 12 partidas do Brasileirão por um time não pode mais defender outra equipe na mesma competição. A proposta de remover essa restrição busca dar mais flexibilidade aos clubes e atletas durante as janelas de transferências, alinhando o regulamento brasileiro a outros mercados do futebol mundial.
Na prática, a mudança permitiria que um atleta transferido no meio da temporada pudesse entrar em campo pelo novo clube no Brasileirão sem o limite imposto pelo número de jogos já disputados — uma flexibilização que aproxima o Brasil do modelo adotado em outras ligas, onde a regra dos 12 jogos não existe.
A criação de times B
Bellintani também é o proponente da criação de times B, que poderiam disputar competições oficiais. Segundo ele, esse modelo — já comum em clubes como Barcelona, Benfica e Porto — preencheria uma lacuna crucial no desenvolvimento de jovens talentos. “A nossa proposta é que os clubes pudessem, assim como já há em outras ligas europeias, ter um clube B. Que os clubes de Série A, Série B, Série C, qualquer que seja, possam ter um clube B para disputar competições e assim dar espaço para jovens também jogarem”, explicou o empresário.
A iniciativa serviria como uma etapa intermediária entre as categorias de base e o elenco profissional: com um time B disputando competições oficiais, os jovens teriam mais oportunidades de rodagem competitiva antes de chegar ao time principal — um caminho que, na visão dos defensores da proposta, fortaleceria a formação de atletas no país.
O contexto das mudanças em curso
O encontro desta semana se soma a outras alterações relevantes já aprovadas pelos clubes das Séries A e B em reuniões anteriores. Uma delas é a redução gradual do limite de jogadores estrangeiros por equipe em cada jogo: a partir de 2027, o limite atual de nove passará para oito, diminuindo em um por temporada até atingir o máximo de cinco estrangeiros em 2030. Também foram definidas mudanças nos horários das partidas — aos sábados, não haverá mais confrontos com início às 21h ou 21h30, com o limite estabelecido para 19h30; durante a semana, os jogos serão distribuídos às terças, quartas e quintas-feiras, nos horários das 19h30, 20h e 21h30, com sextas podendo ter jogos às 20h em casos específicos; os horários das 16h e 19h30 aos sábados e domingos permanecerão, enquanto as faixas das 11h e 18h serão exclusivas dos domingos.
O movimento, portanto, aponta para uma agenda ampla de modernização do futebol brasileiro: enquanto a redução de estrangeiros e a padronização de horários já foram aprovadas, as propostas de Bellintani — o fim do limite de 12 jogos e a criação de times B — entram agora na pauta de discussão entre os clubes. Se aprovadas, as mudanças prometem dar mais flexibilidade ao mercado de transferências e criar um novo degrau na formação de jogadores, aproximando o Brasil das práticas das principais ligas europeias.
Fonte: CNN Brasil.


