O Uberlândia Esporte Clube é o campeão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2026. O título inédito foi confirmado neste domingo (13), no Parque do Sabiá, diante de cerca de 36 mil torcedores: após vencer o jogo de ida por 2 a 0 em Arapiraca, o time alviverde empatou em 1 a 1 com o ASA e levantou a taça — o segundo título nacional da história do clube, que em 1984 conquistou a Taça de Prata, a atual Série B. Fundado em 1922, o representante do segundo município mais populoso de Minas Gerais, com 768 mil habitantes, volta à Série C após 24 anos — a última participação foi em 2003.
A campanha do campeão foi construída com consistência: 12 vitórias, 7 empates e apenas 3 derrotas em 22 jogos. A conquista, porém, tem um significado que vai além do campo. Foi a primeira taça do clube fora da era associativa — e o primeiro grande fruto do modelo de gestão adotado em junho de 2025, quando os sócios aprovaram a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com a venda de 90% das ações para a Full Participações, que tem o empresário Fábio Ernesto Lima, o Fábio Mineiro, ex-Athletic, como sócio majoritário. Considerando aportes e receitas geradas pelo próprio clube, o negócio envolve R$ 100 milhões em 15 anos, com receita mínima garantida.
O modelo que sustenta o projeto
No primeiro ano completo da SAF, o Uberlândia também chamou atenção fora das quatro linhas pelo contrato de naming rights com o Uber, aplicativo de transporte urbano. A solução criativa evitou a mudança do nome do clube: bastou um ajuste no tamanho da fonte para transformá-lo em “UberLÂNDIA”, como apareceu no ônibus da delegação na final. A parceria, que já rendeu até uma camisa comemorativa do título de 1984, simboliza a nova fase de profissionalização do clube.

O projeto, porém, mira muito mais alto. Segundo a SAF, o objetivo é devolver o Uberlândia à primeira divisão nacional até 2033, o que encerraria um hiato de 48 anos — e elevaria o mínimo garantido do negócio para R$ 150 milhões. O caminho começa em 2027, na Série C, que subirá de 20 para 24 clubes com os seis acessos desta edição: além de Uberlândia e ASA, subiram Gama (DF), ABC (RN), Goiatuba (GO) e Nacional (AM). A Terceirona passará por reformulação até 2028, quando terá 28 participantes.
Uma edição histórica
A conquista encerrou a maior Série D da história, celebrada pela CBF. Foram 610 partidas — 100 a mais do que no ano anterior —, com 1.389 gols e média de 2,28 por jogo, reunindo 96 clubes e um investimento de R$ 65 milhões em cotas de participação. O diretor de Competições da entidade, Julio Avellar, destacou os avanços da competição e elogiou a consistência do campeão e a campanha do ASA. Já o coordenador da Série D e presidente da Federação do Distrito Federal, Daniel Vasconcelos, lembrou que a Série D e a Copa do Brasil são as únicas competições que alcançam as 27 federações do país — “o futebol raiz”, como definiu.

O título também tem peso histórico para a competição: a Série D chegou a 17 campeões diferentes em 18 edições, com apenas um bicampeão, o Ferroviário (CE), vencedor em 2018 e 2023. Para o futebol mineiro, foi o terceiro troféu na quarta divisão, todos conquistados por clubes do interior — antes do Uberlândia, venceram o Tupi, de Juiz de Fora, em 2011, e o Tombense, de Tombos, em 2014. Com a taça, o clube do Triângulo Mineiro mostra que o modelo de gestão profissional pode andar junto com a tradição: mantendo o nome, a história e a torcida — e transformando estrutura em resultado dentro de campo.
Fonte: Blog de Cássio Zirpoli; Itatiaia; Band; CBF.



