A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) concluiu a maior comercialização de direitos de transmissão da história do futebol brasileiro. O acordo, anunciado na manhã desta quinta-feira, garante mais de R$ 4 bilhões para o ciclo de 2027 a 2030 — cerca de R$ 1 bilhão por ano — pela transmissão da Copa do Brasil. O valor representa um aumento de mais de 80% em relação ao contrato atual e supera os R$ 3,6 bilhões que a Conmebol conseguiu na negociação dos direitos da Libertadores, que rendem R$ 900 milhões por temporada.
A venda foi estruturada em cinco pacotes de direitos, em um processo de concorrência que durou cinco meses — começou em abril e terminou no início de setembro — e atraiu mais de 15 interessados, entre emissoras e serviços de streaming, incluindo Paramount, N Sports, SBT e TNT Sports. A CazéTV foi descartada. O pacote de TV aberta ficou com a Globo, que segue como principal detentora dos direitos e também transmitirá a competição no SporTV. Os pacotes de multiplataforma foram divididos entre SporTV, Premiere e GE TV, de um lado, e Amazon Prime Video e ESPN, do outro — a ESPN é a grande novidade, já que transmitia as partidas do ciclo atual por sublicenciamento da Globo e agora firmou vínculo direto com a CBF. Um quarto pacote, de reações e melhores momentos, ficou com a GE TV, e o quinto, de transmissão internacional, ainda está em negociação. O acordo inclui ainda a Supercopa Rei, o duelo entre os campeões do Brasileirão e da Copa do Brasil, no ciclo de 2028 a 2031 — a decisão de 2027 faz parte do contrato em vigor.
Mais jogos na TV aberta e transmissão de todos os jogos
O presidente da CBF, Samir Xaud, celebrou o momento histórico. “Esse é um momento histórico para a Copa do Brasil e para o futebol brasileiro. Estamos construindo um novo ciclo para uma competição que representa a dimensão e a diversidade do nosso futebol. A Copa do Brasil é a competição que coloca frente a frente clubes de todos os cantos do país. O nosso compromisso foi justamente fazer com que essa grandeza também estivesse refletida na forma como a competição chega ao torcedor”, afirmou. “Essa negociação amplia o valor, a visibilidade e o alcance da Copa do Brasil. Acima de tudo, cria novas possibilidades para que mais brasileiros acompanhem seus clubes, independentemente de onde estejam”, completou.
O diretor executivo de gestão da CBF, Helder Melillo, explicou os ganhos práticos do novo modelo. “A grande mudança está na distribuição. Nós estruturamos essa negociação em quatro pacotes de direitos, buscando ampliar as possibilidades de distribuição da Copa do Brasil. E o resultado mais importante é que esse novo modelo aumenta de forma significativa a presença da competição na televisão aberta. Vamos praticamente dobrar o número de transmissões em TV aberta, levando mais jogos para o torcedor, de forma gratuita, e ampliando também a visibilidade dos clubes”, explicou.
A partir de 2027, todos os 155 jogos da Copa do Brasil serão transmitidos — uma das contrapartidas da negociação. Isso evita, por exemplo, que partidas de clubes menores fiquem sem transmissão. A CBF TV será a responsável pela geração de imagens de todas as partidas e distribuirá um sinal único às detentoras dos direitos, mantendo um padrão de qualidade e identidade visual, a exemplo do que ocorre em competições da Conmebol, da UEFA e da FIFA. Com a produção própria do sinal, a entidade passará a ter entregas comerciais durante as transmissões, tornando os jogos mais atrativos para marcas que desejarem investir.
Uma competição reformulada e valorizada
Os valores alcançados foram possíveis graças à reformulação promovida na Copa do Brasil. O número de participantes do torneio aumentou de 92 para 126 — em 2027 serão 128 —, o número de partidas subiu de 122 para 155 em 2026 e chegará a 157 a partir de 2027, e a competição passou a ser disputada durante todo o ano. A final em jogo único, implementada já em 2026 e encerrando o calendário nacional, também garante maior apelo esportivo, comercial e turístico.
No novo ciclo, não haverá mês sem partidas da Copa do Brasil entre 2027 e 2030: os jogos vão de janeiro a dezembro, com a final única no fim do ano, sem atropelos com Estaduais, Brasileirão, Libertadores e Sul-Americana. A CBF também criará mais janelas de transmissão, reduzirá a marcação de jogos para uma mesma data e a sobreposição de horários — medida que aumenta a relevância, a expectativa e a audiência das partidas. A partir das quartas de final, todos os duelos serão disputados nos fins de semana. O acordo consolida a Copa do Brasil como o campeonato mais relevante comercialmente do país e abre uma nova era de receitas para o futebol brasileiro.
Fonte: CBF; Correio Braziliense; Estadão.



