Com o encerramento prematuro da temporada profissional de 2026, as atenções no Estádio Centenário voltaram-se para os bastidores e para a reestruturação institucional que o clube deve passar até o fim do ano. O tema central nas conversas da diretoria é a transição para a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Nos últimos meses, o clube intensificou as tratativas para consolidar um modelo de gestão apoiado por empresários da região — a chamada “SAF caseira” —, prometendo um aporte capaz de elevar o patamar financeiro do clube. O tema deve voltar ao Conselho Deliberativo ainda neste ano. No momento, uma empresa trabalha nas questões jurídicas antes de receber ofertas.
Uma das principais dúvidas do torcedor diz respeito à capacidade real de investimento do clube sob o novo modelo. Questionado se a SAF permitirá injetar valores superiores a R$ 1 milhão por mês apenas no departamento de futebol, o presidente Roberto De Vargas foi categórico ao projetar orçamentos anuais atrelados à divisão em que o clube estiver disputando. “Com a SAF deve investir mais que isso por mês. Se tem um mínimo, mais ou menos, que já está sendo estudado, um processo em que o investimento vai ter um valor anual para a Série C, um valor anual para a Série B, como em outras SAFs”, explicou o mandatário.
A ideia de uma SAF formada por empresários ligados ao cotidiano do clube gera desconfiança em parcela da torcida, que teme a repetição de fórmulas do passado que não resultaram em saltos de patamar nacional. Diante desse receio, De Vargas argumentou que o Caxias vive um processo de modernização interna. “O Caxias vem se profissionalizando mês a mês, ano a ano. Isso é visível na estruturação do departamento de futebol, no setor de análise de desempenho e no departamento médico. Hoje, o clube possui uma base muito bem embasada, com requisitos comparáveis aos de Grêmio, Internacional ou Juventude”, afirmou.
A negação dos R$ 400 milhões e o planejamento para 2027
Nos bastidores, especula-se que o grupo formado por cerca de 12 empresários locais planeja um investimento total que poderia alcançar a casa dos R$ 400 milhões. Roberto De Vargas, no entanto, tratou de negar esse valor e contextualizar o montante, esclarecendo que não há valor fechado para o curto prazo. “Não, não acredito. Talvez em dez anos, não tem esse número ainda, esse número está sendo definido. Já temos um projeto, temos interessados, está andando e é muito diferente do que qualquer coisa que foi feita no Caxias até agora”, esclareceu o presidente, que também diferenciou o novo modelo das iniciativas anteriores: “Até agora, vem uma pessoa bem-intencionada, como o Roberto, junta três, quatro caras, pega o apoio de um, o apoio de outro, os nossos recursos de publicidade, de camiseta.”
Para a diretoria, o cronograma é fator determinante para o sucesso da transição. A meta é selar o modelo jurídico e financeiro no fim de 2026, permitindo que os novos gestores montem a equipe desde o início. “Tem que ter um começo, não pode entrar no meio de um campeonato com o trabalho já executado. Essas pessoas querem executar o trabalho, querem ter as pessoas que vão contratar, querem ter o modelo do que vai ser o Caxias. Isso está sendo pensado com calma e vai acontecer no final do ano, começo do ano”, projetou De Vargas.
O presidente reforçou que o projeto será bem diferente de tudo que está se comentando. “E não é por ser uma SAF caseira que vai deixar de ser boa. Nós temos excelentes empresários da região. Eu me refiro à organização, eu me refiro a volume de dinheiro investido, eu me refiro a patrocínio, eu me refiro a toda uma coisa profissional”, comentou. Por fim, perguntado se o próprio Roberto De Vargas integraria o grupo de empresários investidores da nova SAF grená, o presidente não descartou a possibilidade: “Pode ser, ainda não sei. Precisamos avaliar o andamento do projeto. Sobre a minha participação como investidor, só o futuro trará essa resposta.”
Fonte: GZH.



