O Maringá conquistou, pela primeira vez, o Certificado de Clube Formador da CBF. O reconhecimento chega após quatro anos de reestruturação da base e dá ao clube mais segurança na formação de atletas, além de proteger os investimentos e abrir possibilidades de retorno financeiro em futuras negociações. O certificado reconhece que a estrutura oferecida pelo clube aos atletas atende aos critérios técnicos, estruturais, educacionais e assistenciais estabelecidos pela CBF para a formação de jovens atletas.
O trabalho nas categorias de base começou no Maringá em 2018, mas foi interrompido durante a pandemia. Em 2022, o clube retomou o projeto e passou a investir novamente na formação de jogadores e na estrutura oferecida aos jovens. Atualmente, o Maringá tem equipes do sub-9 ao sub-17. A partir do sub-14, os jogadores que moram no clube contam com alimentação, acompanhamento escolar e assistência de profissionais de áreas como medicina, fisioterapia, psicologia e odontologia, incluindo uma equipe multidisciplinar. O objetivo do Maringá é transformar a base em um dos pilares do projeto.
O que muda com o certificado e o impacto no mercado
Na prática, o Certificado de Clube Formador dá ao Maringá mecanismos de proteção relacionados aos atletas que passam pela base, como direitos ligados ao primeiro contrato profissional, o direito de preferência na primeira renovação contratual e a possibilidade de pleitear indenizações pela formação nas situações previstas pela legislação, além da possibilidade de receber valores previstos nos mecanismos de formação e solidariedade em determinadas transferências — que podem garantir participação financeira ao clube em futuras negociações, de acordo com o período em que cada jogador esteve vinculado ao processo formativo.
O clube já soma 21 atletas negociados com equipes do futebol nacional nas temporadas de 2025 e 2026, sendo três deles mais recentemente com o Coritiba — o lateral-direito Saulo e os atacantes Thiago Lopes e Miguel Limas, todos do sub-17. “Existe o aspecto esportivo, de revelar atletas para a nossa equipe principal, existe o aspecto financeiro, porque a formação e negociação de jogadores é uma importante fonte de receita para o clube, mas existe também uma responsabilidade social muito grande”, explicou o CEO do Maringá, Clério Dallazen Júnior. “Estamos trabalhando com crianças e adolescentes e nossa obrigação é oferecer estrutura para formar bons atletas, mas, acima de tudo, bons cidadãos, preparados para a vida, independentemente de seguirem ou não no futebol profissional”, completou.
O principal nome revelado no Maringá é o atacante Rômulo, formado ainda em 2018, no começo da base no clube. Ele depois foi para o Athletico, onde jogou no sub-17, sub-20 e no time principal. O jogador foi em 2024 para o Göztepe, da Turquia, e, no ano passado, assinou com o RB Leipzig, da Alemanha, em negociação fechada em 20 milhões de euros (R$ 120 milhões na cotação atual), além de bônus extras de cinco milhões de euros (R$ 30 milhões). “Esse selo chancela um trabalho que vem sendo realizado há alguns anos e mostra o patamar que o Maringá alcançou. Hoje somos um clube muito bem relacionado no mercado nacional, temos contato com as principais equipes do país e percebemos cada vez mais atletas querendo fazer parte do nosso projeto. Nosso processo de captação acontece em todo o Brasil e estamos expandindo esse alcance”, afirmou o gerente das categorias de base, Igor Oliveira.
Fonte: ge.Globo; Maringá Atual.



