O calendário do futebol brasileiro vive uma contradição: times da Série A têm jogos demais, enquanto os de divisões inferiores têm partidas de menos. Esse é o problema que a CBF mirou ao reformular o calendário nacional a partir de 2026. Julio Avellar, diretor de competições da entidade, detalhou os bastidores dessas mudanças já aplicadas em painel no Rio Innovation Week, nesta quinta-feira (6). A antecipação do início do Campeonato Brasileiro para fevereiro tem relação direta com a pausa no meio do ano. Segundo Avellar, a parada está prevista para todos os anos, porque em três de cada quatro anos do ciclo há competições de seleções nesse período: Copa do Mundo, Copa América e Copa do Mundo de Clubes.
Em 2027, há uma camada adicional de complexidade: a Copa do Mundo feminina será sediada no Brasil, o que obriga a paralisação também do futebol masculino. Oito estádios nas principais cidades-sede do país receberão partidas do torneio. Para equacionar o calendário, o início do Brasileirão foi antecipado para 28 de janeiro, com término em 2 de dezembro e pausa de cinco semanas para a Copa do Mundo. Os estaduais caíram de 16 para 11 datas, entre 11 de janeiro e 8 de março. A estimativa é que os times da elite joguem cerca de 15% a menos em 2026. Outro fator que colaborou para essa diminuição é a Copa do Brasil, cujas rodadas iniciais deixam de contar com a participação dos integrantes da Série A. Eles entram somente a partir da quinta rodada, o que reduziu a carga em um a três datas.
Mais espaço para a base da pirâmide
O outro lado da equação é a base da pirâmide. Antes da reforma, dos 882 clubes registrados como profissionais na CBF, apenas 124 disputavam as quatro divisões nacionais — o restante ficava restrito aos estaduais e, terminadas as competições, muitos desmontavam o elenco e ficavam meses sem estrutura profissional. Questionado sobre a possibilidade de criar uma Série E, Avellar contou que a CBF preferiu ampliar a Série D como o caminho melhor. A divisão salta de 64 para 96 clubes já em 2026. A Série C também crescerá, dos atuais 20 até 28 em 2028.
As categorias de base também tiveram o calendário ampliado — caso do novo Campeonato Brasileiro Sub-15, com fase inicial regionalizada e final na Granja Comary. “Quem tem 15 anos hoje vai chegar a 2030, ano de Copa do Mundo em Portugal, Espanha e Marrocos, com idade para o futebol profissional. Algum jogador dessa competição vai estar na próxima Copa”, afirmou Avellar. A reforma busca, assim, equilibrar a carga de jogos entre a elite e as divisões de acesso, ampliando o calendário das categorias de base e das séries inferiores, ao mesmo tempo em que reduz a sobrecarga dos times da Série A.
Fonte: Sport Insider.



