O Santos está, de novo, na lista de transfer ban da Fifa. A sanção ao clube paulista foi registrada pela entidade máxima do futebol nesta quinta-feira (8), impedindo a equipe de contratar reforços nas próximas três janelas de transferências. A punição é referente a uma dívida com José Francisco Belman Gonzales, que fazia parte da comissão técnica de Pedro Caixinha no clube. Em dificuldades financeiras, o Santos já lidava com o transfer ban em 2026 — e a nova punição reacende o alerta sobre a capacidade do clube de honrar compromissos financeiros.
Ao todo, são quatro processos correndo na Fifa sem condições de recurso mais para o Santos, já que o clube foi condenado pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) em todos os casos. São cerca de R$ 15 milhões em processos, mas o caso de Belman é de 200 mil euros (R$ 1,1 milhão), mais 5% de juros ao ano a partir de abril do ano passado.
Ou seja, neste momento, para se livrar do transfer ban, o Santos precisa apenas pagar a dívida com o preparador de goleiros à vista. As outras condenações ainda não se refletiram em transfer ban. Além de Belman e do próprio Caixinha, José Prata e Pedro Maltam também venceram o clube na Justiça.

O histórico recente mostra como o clube dependeu de ajuda externa para voltar ao mercado. Na última janela de transferências, o Santos contou com o apoio da NR Sports, empresa de Neymar, que aplicou um aporte imediato de recursos para quitar a pendência que motivava o bloqueio. Assim, os reforços contratados — como Rodinei, Arthur e Everton Cebolinha — foram registrados e estão atuando sob o comando do técnico Cuca desde então.
Janela fechada e impacto prático da sanção
Há um fator que ameniza o efeito imediato da nova punição: a janela de transferências do futebol brasileiro fechou em 11 de setembro. Agora, os times só poderão registrar novas contratações para a temporada de 2027 e o ban passa a condicionar o planejamento do ano que vem. Enquanto a pendência que originou a sanção não for regularizada, o clube ficará impedido de inscrever novos jogadores quando o mercado reabrir.
Na prática, o transfer ban funciona como um freio direto na montagem do elenco: sem o registro na entidade, nenhum reforço pode atuar oficialmente. Para o Santos, o caminho para sair da lista será o mesmo do episódio anterior — quitar a dívida que originou a punição. O episódio também se soma ao contexto de restrições financeiras vivido pelo futebol brasileiro em 2026, em que clubes têm buscado aportes externos e acordos para destravar registros junto à Fifa.
Atualização em 09/10/2026 – Entenda os novos transfer bans do Santos
A punição registrada na quinta-feira (8) foi apenas o começo. Nesta sexta-feira (9), a Fifa confirmou três novos transfer bans contra o Santos, em razão do não pagamento de verbas rescisórias ao técnico Pedro Caixinha e a membros de sua comissão técnica. Com as novas sanções, o Peixe chega a quatro bloqueios vigentes na entidade por débitos que, somados, alcançam cerca de R$ 15 milhões — e o cenário ainda pode piorar: a entidade deve oficializar um quinto bloqueio, referente à rescisão do preparador físico Guilherme Gomes.
A sequência de punições teve início na quinta-feira, quando a entidade notificou o clube pelo débito de 200 mil euros (R$ 1,11 milhão) com o preparador de goleiros José Francisco Belman Gonzales. Na sexta, a Fifa confirmou os bloqueios relativos às ações movidas pelo próprio Caixinha e pelos auxiliares José Prata e Pedro Malta. Sem caixa para quitar as rescisões após as demissões em abril de 2025, a diretoria santista tentou parcelar os débitos, mas os profissionais recusaram a proposta e acionaram a Fifa. O Santos ainda recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) — a última instância da Justiça desportiva internacional —, mas teve o pedido rejeitado e esgotou as possibilidades de recurso.

A maior fatia da dívida envolve justamente o técnico. O clube foi condenado a pagar R$ 496,7 mil em remunerações pendentes e 1,84 milhão de euros (cerca de R$ 10,2 milhões) referentes à rescisão contratual, ambos os valores acrescidos de juros de 5% ao ano cobrados a partir de 14 de abril de 2025. Em relação aos auxiliares, o débito com Pedro Malta é de 220 mil euros, aproximadamente R$ 1,2 milhão, enquanto a pendência com José Prata gira em torno de 120 mil euros, cerca de R$ 670 mil — quantias que também sofrem correção de juros de 5% ao ano desde abril do ano passado. A sanção impede o registro de novos reforços pelas próximas três janelas de transferências, e o bloqueio só será retirado antes desse prazo caso o clube efetue a quitação integral das pendências. Caixinha comandou a equipe em 16 partidas. Procurado, o Santos ainda não se manifestou.



