O Resende aprovou neste sábado (10) a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A decisão foi tomada em assembleia realizada no auditório do CT Pelé Academia, com a presença dos sócios, e abre caminho para a entrada de novos investidores no projeto. A SAF é o modelo de empresa criado pela Lei nº 14.193, de 2021, que permite a um clube transferir a administração do futebol profissional para uma sociedade anônima — uma estrutura jurídica que facilita a captação de recursos e a entrada de investidores nacionais e internacionais.
Segundo o clube, a mudança busca ampliar a capacidade de captação de recursos, além de estabelecer uma estrutura voltada justamente a esses novos parceiros. Entre as prioridades apontadas pelo Resende estão o fortalecimento das categorias de base e os investimentos em infraestrutura. A nova estrutura pretende oferecer maior transparência, governança e segurança jurídica aos futuros investidores, criando as condições necessárias para acelerar o desenvolvimento esportivo, de inclusão social e empresarial do clube.
De pioneiro da gestão profissional em 2006 à nova era societária
A aprovação coroa uma trajetória que começou há duas décadas. Em 2006, o Resende passou a executar um modelo de gestão profissional em todos os seus departamentos, por meio da contratação de uma empresa especializada na administração do futebol — em uma época em que a administração dos clubes brasileiros ainda era predominantemente conduzida por modelos tradicionais, o Gigante do Vale antecipou conceitos de governança, segurança jurídica e gestão empresarial que, anos depois, passariam a fazer parte do debate nacional sobre o futuro do futebol. Esse pioneirismo criou as bases para um projeto com abrangência nacional e internacional, capaz de atrair parceiros de referência como o Villarreal, da Espanha — parceria voltada à metodologia e à formação de atletas, colocada em prática no CT da Pelé Academia, mesmo antes da existência da legislação que instituiu as SAFs no Brasil.
Na visão do próprio clube, a transformação não representa uma ruptura com o passado, mas a continuidade de uma trajetória marcada pelo pioneirismo, pela credibilidade institucional e pela capacidade de construir parcerias estratégicas. Mais do que um ajuste societário, a iniciativa é apresentada como a evolução natural de um projeto construído ao longo de 20 anos, que combina gestão profissional, formação de atletas e visão de longo prazo — com a essência formadora mantida e a ambição de ampliar a presença do Resende no cenário do futebol nacional e internacional, formando cidadãos.
Negociação com investidores não vingou; clube segue em busca de sócios
Nos últimos meses, um grupo de investidores canadenses e americanos chegou a negociar a compra de participação no projeto, mas o negócio não foi concretizado. O termo de intenção previa a aquisição de 49% das ações por cerca de R$ 45 milhões, com possibilidade de chegar a 51% mediante o pagamento de um bônus. Com a aprovação da SAF, o Resende passa a buscar investidores para adquirir participação na empresa e ampliar a capacidade de investimento no futebol — mas, após o fim das negociações anteriores sem acordo, o clube ainda não anunciou novos interessados nem estabeleceu prazo para concluir a venda de ações.
Na prática, o Resende chega ao novo modelo com uma vantagem rara entre clubes de menor porte: não está começando do zero. A estrutura de gestão profissional já existe desde 2006, a parceria internacional de formação está ativa e o ativo mais valioso — o projeto de revelação de talentos — segue consolidado. O desafio agora é comercial: transformar a aprovação dos sócios em um acordo concreto de investimento, em um mercado em que a concorrência por capital privado entre os clubes brasileiros só cresce.
Fonte: ge.Globo; A Voz da Cidade.



