O Primavera-SP anunciou na última sexta-feira (9) a contratação do técnico Ramon Menezes para a temporada de 2027. Aos 54 anos, o treinador estava livre no mercado desde outubro de 2025, quando deixou a CBF, e assume o lugar de Rafael Marques no comando do clube de Indaiatuba. O primeiro desafio de Ramon será o Paulistão de 2027 — ano em que o Primavera completa 100 anos — e o clube também disputará, pela primeira vez na história, a Série D do Campeonato Brasileiro, a quarta divisão nacional.
Em entrevista ao canal oficial do clube, o treinador explicou o que o levou a aceitar o projeto e demonstrou confiança no trabalho para a próxima temporada. “Eu me sinto muito satisfeito por estar aqui, de assumir o comando técnico do Primavera SAF. Quero agradecer à direção pela confiança e principalmente pelo projeto que me foi apresentado em todas as nossas conversas. Eu já acredito no potencial do clube e em tudo aquilo que a gente pode construir juntos”, declarou. Ramon também destacou a possibilidade de trabalhar com jogadores jovens e rodados: “Essa experiência vivida não só na seleção brasileira, mas por todos os clubes por onde passei enquanto treinador e auxiliar técnico, me deu esse olhar voltado para os jovens jogadores, jogadores promissores. Aqui vou ter também a oportunidade dessa mescla de jogadores experientes com esses jogadores jovens, de ajudá-los e ajudar o clube nesse desenvolvimento.”
A trajetória de Ramon Menezes
A ficha de Ramon Menezes sustenta o peso do anúncio. Como treinador, comandou a seleção brasileira sub-20 entre 2022 e 2025 e, nesse período, assumiu interinamente a equipe principal após a saída de Tite e antes da chegada de Fernando Diniz — foram três partidas à frente da Seleção, com vitória sobre a Guiné e derrotas para Marrocos e Senegal. Antes dos trabalhos na CBF, passou por clubes como Vasco, CRB e Vitória; no Vasco, foi efetivado em março de 2020, no lugar de Abel Braga, e dirigiu a equipe em 16 partidas, com oito vitórias, três empates e cinco derrotas. Como jogador, o ex-meia construiu a parte mais marcante da carreira no clube carioca, com a conquista da Libertadores de 1998, do Campeonato Brasileiro de 1997, do Campeonato Carioca de 1998 e do Torneio Rio-São Paulo de 1999, além de ter defendido Cruzeiro, Vitória, Atlético-MG e Fluminense, e atuado na Alemanha, no Japão e no Catar.
Conhecido pela qualidade nas cobranças de falta, Ramon já sinalizou que pretende transformar esse fundamento em diferencial do elenco do Primavera. “Hoje, do lado de cá, enquanto atleta, sem dúvida nenhuma, era um fundamento marcante na minha carreira. Mas eu trabalhava muito, treinava muito, e agora é também estimular os nossos jogadores para que eles sejam referências na bola parada. Eu gosto muito, bola parada sem dúvida nenhuma decide os jogos”, afirmou. O treinador também convocou a torcida para a temporada do centenário: “A gente conta muito com o apoio do nosso torcedor para ser o 12º jogador. Estou muito ansioso e convicto de que, em 2027, no ano do centenário do clube, a gente consiga os nossos objetivos.”
Na prática, o casamento faz sentido para os dois lados: o Primavera — clube que, sob o modelo de SAF, a empresa que assumiu a administração de seu futebol profissional, vive uma temporada histórica com acesso à elite estadual e a estreia nacional marcada — ganha um técnico com passagem por seleções de base e pela principal; e Ramon recebe um projeto de reconstrução de valor de mercado, em um ano simbólico, o centenário do clube.



