A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) confirmou mudanças na estrutura acionista de três clubes da primeira divisão portuguesa: Estrela da Amadora, Moreirense e Estoril Praia. As alterações constam do relatório de transparência da entidade, documento que reúne oficialmente quem é dono do quê em cada clube da elite do futebol português. Para o público brasileiro, vale a explicação: a SAD — Sociedade Anônima Desportiva — é a figura jurídica portuguesa que corresponde, em linhas gerais, à SAF brasileira, ou seja, a empresa que administra o futebol profissional do clube.
O caso mais chamativo é o do Estrela da Amadora. Na temporada 2025/26, o clube detinha 10% da SAD dos tricolores, enquanto 90% pertenciam à Adventure Domain — que, antes desta temporada, alienou 80% à Pastel Bidco, um consórcio do qual fazem parte alguns jogadores ou ex-jogadores de renome do futebol europeu, como Thomas Müller, Mats Hummels, Yann Sommer e Lucas Hernández. O próprio clube havia anunciado que estava “concluído o processo de venda de uma participação de 90% do capital social da SAD por um consórcio internacional liderado pela ADvantage e pela LEAD, com o apoio do Grupo KI”.
Estoril muda de razão social e Moreirense amplia participação própria
No Estoril Praia, a mudança foi de fachada societária: em 2025/26, 92,27% da SAD era detida pelo Globalon Football Holding Group, e a mesma percentagem surge agora em nome da Pitville Three Limited, um consórcio com ligações ao grupo Globalon — na prática, o controle permaneceu no mesmo grupo, apenas sob nova razão social. Já o Moreirense teve alterações mais discretas: o clube aumentou sua participação em 2,8% do capital social, passando a ter 12,8%. O maior acionista continua sendo o Black Knigh Football Club UK, que detém 66,67%.
O mapa do capital na primeira divisão portuguesa
O levantamento da FPF também desenha o panorama geral do capital na I Liga. Entre os 18 clubes da competição, Académico de Viseu, Estrela da Amadora, Estoril Praia, Famalicão, Alverca, Moreirense, Rio Ave e Santa Clara têm participações majoritárias de investidores estrangeiros. Arouca, Gil Vicente e Casa Pia ainda são Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQ) — a estrutura em que uma única pessoa, física ou jurídica, detém todas as quotas da empresa. Os demais clubes têm participações majoritárias nas respectivas SAD, com o documento citando a presença de capital estrangeiro em casos como o do Sporting de Braga (Qatar Sports Investment) e o do Sporting (Holdimo). Na outra ponta, FC Porto, Benfica, Marítimo e Nacional mantêm a maioria do capital no próprio clube, sem a presença de investidores estrangeiros.
Acesse o Relatório de Transparência da FPF – informação comunicada 2026/27: clique aqui.
Na prática, o relatório de transparência mostra uma elite portuguesa em transformação acelerada: quase metade da I Liga já opera sob controle estrangeiro, e a chegada de jogadores consagrados — como Müller e Hummels — à condição de sócios de um consórcio controlador do Estrela da Amadora sinaliza um modelo novo de investimento no futebol português. Para quem acompanha o mercado das SAFs no Brasil, o caso reforça o paralelo entre os dois países: em ambos, o capital privado avança sobre os clubes, mas com estruturas jurídicas e perfis de investidor cada vez mais variados.
Fonte: SAPO; Federação Portuguesa de Futebol.



