O Guarani abre a semana na expectativa de receber uma nova proposta do empresário Roberto Graziano para adquirir 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. Graziano decidiu recomeçar a rodada de negociações depois de questionamentos sobre alterações feitas no contrato da primeira oferta — com as principais mudanças envolvendo multas e garantias. Com receio de que a situação pudesse ser judicializada, o empresário optou por refazer todo o rito: a carta de retirada da proposta foi lida na Assembleia na quarta-feira da semana passada, às vésperas da aprovação da SAF.
Na ocasião, mesmo sem o acordo entre as partes, o Guarani foi autorizado pelos sócios a constituir a nova forma de gestão com 95% dos votos — o que separou duas etapas que antes caminhavam juntas: a criação da SAF, já aprovada, e a eventual venda das ações ao grupo investidor, que segue em negociação. A expectativa é que a nova oferta seja apresentada ainda nesta semana, após a equipe de Graziano avaliar os pedidos feitos pelo clube.
Os números da proposta e o que espera o estatuto
Na primeira versão da oferta, Graziano previa um investimento total de R$ 1,075 bilhão: R$ 400 milhões destinados à operação da SAF no futebol e no clube social, R$ 300 milhões para a construção de um novo estádio, R$ 25 milhões para um novo Centro de Treinamento e até R$ 350 milhões para o passivo da Recuperação Judicial. A divisão acionária, segundo apuração, não deve sofrer alterações: o Guarani manteria 10% das ações, enquanto o grupo de Graziano ficaria com os outros 90%.
A nova oferta passará por nova análise do Conselho Deliberativo — que já havia dado parecer positivo com ressalvas na rodada anterior — antes de seguir para a votação em Assembleia Geral Extraordinária. A partir do momento em que a oferta for formalizada, o estatuto do Guarani determina que o Conselho dê parecer e que sejam marcadas Assembleias Gerais Extraordinárias: três para discussão e uma para votação.
Planejamento de 2027 depende da definição
A indefinição também impacta o planejamento para a próxima temporada. O departamento de futebol do Guarani aguarda a definição de qual empresa vai administrar a SAF e, consequentemente, participar da montagem do elenco para o Paulistão de 2027. Na prática, o clube vive um momento de duas frentes paralelas: os sócios já deram o aval para a constituição do modelo de gestão, mas a chegada do investimento bilionário — e do parceiro que ajudará a desenhar o time do ano que vem — depende agora da nova oferta que Graziano deve apresentar nos próximos dias. O desfecho dessa rodada definirá se o Guarani entra em 2027 com o reforço financeiro anunciado em números ou seguindo com o planejamento construído sem o dinheiro da SAF.
Fonte: ge.Globo.



