Após pouco mais de três anos de operação, o City Football Group (CFG) iniciou movimentos para aumentar sua fatia acionária na Bahia SAF. Atualmente dono de 90% das ações, o conglomerado planeja elevar sua participação para cerca de 93% em um futuro próximo. O movimento não representa uma nova operação de compra e venda, mas sim a execução de cláusulas já estabelecidas no contrato original firmado em dezembro de 2022.
A legislação brasileira que rege as Sociedades Anônimas do Futebol determina que a associação civil original não pode deter menos de 5% das ações, o que estabelece um teto de 95% para o investidor majoritário. O plano inicial do Grupo City é atingir o patamar de 93%, mantendo a associação com uma parcela ligeiramente superior ao mínimo legal.
Investimentos em infraestrutura e futebol impulsionam mudança
A ampliação da participação societária está diretamente ligada aos pesados aportes financeiros que o grupo tem realizado. O contrato de 2023 previa um investimento total de R$ 1 bilhão ao longo de 15 anos, divididos entre compra de jogadores (R$ 500 milhões), pagamento de dívidas (R$ 300 milhões) e infraestrutura (R$ 200 milhões).
No entanto, o volume de investimentos tem superado as expectativas iniciais em áreas específicas:
- Novo Centro de Treinamento: A construção de uma nova estrutura de excelência está estimada em mais de
R$ 300 milhões. - Categorias de Base e Profissional: Aportes contínuos para elevar o nível de competitividade e formação de atletas.
Como a associação civil do Bahia não tem acompanhado esses aportes em sua quota-parte proporcional, ocorre o processo de integralização de ações pelo investidor que injeta o capital, resultando no aumento natural de sua porcentagem na empresa.
Governança e relação financeira entre SAF e Associação
A relação entre as duas entidades permanece pautada por acordos de governança e repasses financeiros. Atualmente, a Bahia SAF é administrada por um Conselho de Administração composto por seis membros, sendo cinco indicados pelo Grupo City e um pela associação.
No campo financeiro, o investidor cumpre obrigações anuais com o clube social:
- Royalties: Pagamento de
R$ 2,5 milhõespor ano pelo uso da marca “Bahia”, que continua sendo propriedade da associação. - Manutenção: Repasses mensais (protegidos por confidencialidade) para garantir a independência da estrutura associativa.
- Dividendos: A associação tem direito a 10% dos lucros distribuídos. Contudo, em 2024 e 2025, a SAF registrou déficit devido aos altos investimentos, o que resultou na ausência de distribuição de lucros no período.
Preservação da identidade e projetos futuros
Apesar do aumento do controle acionário pelo CFG, a identidade do clube segue protegida. Qualquer mudança em símbolos, cores ou emblemas continua dependendo exclusivamente de avaliação da associação e votação no Conselho Deliberativo.
Enquanto a SAF foca na performance esportiva e infraestrutura, a associação mantém projetos independentes, como o fomento a modalidades para as Olimpíadas de 2028. A formalização do novo percentual acionário deve ocorrer entre 2026 e 2027, sob a condução de Vitor Ferraz, Diretor de Operações Institucionais da SAF e principal elo entre as partes.
Fonte: Bahia Notícias; A Tarde.



