O Ministério do Esporte comunicou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o adiamento da reunião com os clubes das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro e com as federações estaduais, que discutiria os impactos da proibição das bets no futebol. O encontro estava previsto para esta terça-feira (29), às 15h, em Brasília, mas ainda não tem uma nova data definida. O ministro Paulo Henrique Cordeiro assinou nesta segunda-feira (28) o ofício que adia a reunião — e, segundo o documento, a nova data e o horário serão definidos posteriormente e comunicados à CBF com antecedência.
Na justificativa oficial, o ministro explicou que a decisão foi tomada por questões logísticas, devido à proximidade da data inicialmente prevista e às dificuldades de deslocamento dos participantes. Segundo o ofício, os horários dos voos disponíveis poderiam comprometer a presença de representantes dos clubes e das federações — e o adiamento busca, assim, garantir uma participação mais ampla no encontro. Nos bastidores, porém, o clima era outro: integrantes do governo consideram que não havia ambiente para a reunião depois do boicote articulado pelos clubes ao encontro. A reunião havia sido montada pelo governo para discutir especialmente a perda de receitas dos clubes com o fim dos patrocínios das casas de apostas — e, quando marcada a nova data, o encontro deve contar com representantes da CBF e dos ministérios do Esporte, da Fazenda e do Planejamento.
O contexto: MP em vigor, contratos ameaçados e crimes previstos
A pauta principal da reunião adiada seria a recente decisão do governo de determinar o fim das bets no país por meio de medida provisória. Com isso, os contratos de patrocínio — incluindo aqueles que estampam as camisas dos clubes de futebol — deverão ser cancelados. A maioria dos clubes, no entanto, defende a manutenção e a regulamentação do setor, ao invés do encerramento das atividades. O tamanho da dependência é visível na elite do futebol nacional: entre os 20 participantes da Série A, apenas Mirassol e Internacional não contam com patrocínios de casas de apostas.
Antes da publicação da MP, as empresas de apostas já haviam comunicado aos clubes a possibilidade de rescindir contratos caso o governo proibisse a operação do setor. A medida estabeleceu que sites e aplicativos de apostas deverão ser bloqueados no país a partir de 6 de outubro, com os apostadores tendo até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas. A publicidade, os novos patrocínios e as promoções de bets foram proibidos imediatamente após a publicação da medida — e peças publicitárias e contratos já existentes poderão permanecer até 5 de outubro. Além da MP, o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para criar crimes relacionados às apostas de quota fixa: a proposta estipula pena de 4 a 6 anos de reclusão e multa para quem explorar, operar, oferecer, receber, registrar ou intermediar apostas, mesmo com autorização de uma autoridade estrangeira — e ainda precisa ser aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente para entrar em vigor.
Na prática, o adiamento empurra para um momento incerto o primeiro encontro formal entre governo e futebol desde o veto às apostas — justamente quando clubes e federações pressionam por compensações pelas receitas que vão perder, e o governo busca costurar um diálogo que, nos bastidores, começou com resistência. A definição da nova data pela CBF dirá se o canal de negociação se recompõe ou se o embate segue rumo às cortes judiciais, como já sinalizam clubes e casas de apostas.
Fonte: CNN Brasil; Poder360.



