O Conselho Deliberativo do Comercial aprovou na noite desta quarta-feira (30) o projeto para que o clube inicie sua transição para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A reunião foi presencial no estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto, e contou com aprovação quase unânime dos conselheiros do Leão do Norte: entre os 37 presentes, foram 31 votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção. Com isso, o clube está autorizado a prosseguir as negociações com a Alliance Football, dos empresários Caian Oliveira e Eliel Fraga.
Um detalhe marcou a sessão: um dia antes da votação, o presidente do clube, Wesley Rios — favorável à SAF — solicitou que a votação fosse aberta e nominal, negando que a iniciativa tivesse como objetivo causar constrangimento ou expor os conselheiros contrários ao projeto. O órgão administrativo acatou a ideia, e a proposta passou com ampla maioria, abrindo caminho para a virada de mesa do Leão do Norte. Em nota oficial, o clube reforçou que a deliberação autoriza o prosseguimento do processo, mas não representa a conclusão da constituição da SAF — e reafirmou seu compromisso com a transparência, o respeito às suas instâncias institucionais e a defesa dos interesses do clube.
Due diligence, números do projeto e a possível chegada de Ricardo Oliveira
Com a aprovação, o clube inicia o processo de due diligence — a etapa de análise detalhada dos documentos e dados do Comercial antes da assinatura do contrato. O grupo de investidores à frente do projeto é formado por Caian Oliveira e Eliel Fraga, da Alliance Football, que ficará com 90% das ações, restando 10% para o clube. Todas as receitas, incluindo o aluguel do Palma Travassos para eventos, serão direcionadas à empresa. A expectativa é de investimento de R$ 300 milhões nos próximos dez anos, contando também receitas oriundas de acordos comerciais intermediados pela Alliance Football, como patrocínios e espaços na camisa — ou seja, se a empresa intermediar um patrocínio para o clube, como um espaço na camisa, o valor do aporte será parte desse investimento milionário. O projeto prevê, ainda, a quitação das dívidas do Comercial, que somam cerca de R$ 42 milhões, segundo auditoria realizada em abril de 2026. Caso o clube não consiga pagar, a SAF assume os compromissos e a associação passa a dever para a empresa investidora.
Há ainda a possibilidade de participação do ex-atacante Ricardo Oliveira no projeto, embora sua atuação ainda não esteja confirmada. O nome do ex-jogador foi citado por Wesley Rios e Eliel Fraga como uma aposta para aumentar a credibilidade do Comercial, mas ainda não foi definida qual função ele pode exercer na nova estrutura.
Na prática, a votação de quarta-feira encerra a fase de debate interno e abre a porta para a due diligence — o momento em que os investidores vão escrutinar números, documentos e passivos do clube antes de assinar o contrato. O placar da votação, com 84% dos conselheiros favoráveis em votação aberta, dá ao projeto um lastro político importante para a etapa seguinte; o desafio agora é transformar a autorização em contrato assinado, com a definição do papel de Ricardo Oliveira como um dos pontos que ainda precisam de resposta.
Fonte: ge.Globo; Futebol Interior.


