A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Grêmio Esportivo Brasil segue com 100% das ações sob posse da associação do clube, sem a formalização da aquisição de 90% do controle acionário pela Xavante Participações, prevista em acordo homologado. Apesar da demora na autorização judicial, os investidores prosseguem com injeções de recursos, operando por procuração enquanto aguardam liberação do Judiciário, em meio a uma “preocupação real” expressa pelo representante do consórcio, Fernando Ferreira.
Em entrevista à Rádio Pelotense 99,5 FM, Ferreira destacou a anomalia da situação: “Os investidores estão investindo, mas em uma operação que não é deles. Isso, por si só, fala o que está envolvido na questão. Enquanto isso não se resolver, e dentro de um prazo razoável, nós não finalizamos a operação. De fato, é a primeira operação que a gente participa de alguma maneira e que depois de tudo finalizado ela não finaliza.”
O entrave judicial ganhou força em março, quando a Administração Judicial da Recuperação Judicial intimou o clube a detalhar os termos de aprovação dos contratos pelo Conselho Deliberativo, entre direção executiva e investidores. A SAF funciona provisoriamente por procuração, à espera da chancela, condicionada à aprovação dos credores na Assembleia Geral marcada para maio.
Ferreira, sócio-fundador da Pluri Sports – parceira do Rubro-Negro desde o início da colocação da marca no mercado –, reforçou a urgência: “É uma causa de preocupação real. Não é um assunto que vai ficar no ar por muito tempo. É um assunto que vai ter que ser equacionado, de um jeito ou de outro. A Justiça tem o seu tempo, os seus processos, e não nos cabe avaliar isso.”
O risco de cancelamento da operação é considerado improvável, com garantia de validade dos contratos assinados mesmo em cenário similar ao atual. O processo, transparente há 750 dias e com todas as fases respeitadas, é debatido entre advogados das partes. Um ponto positivo reside na continuidade dos repasses, incomum em contextos de insegurança jurídica, embora três potenciais investidores aguardem resolução para avançar nas negociações.
Essa dinâmica expõe desafios na transição de SAFs tradicionais para modelos com capital privado, onde aprovações judiciais e de credores definem o ritmo de consolidação.
Fonte: A Hora do Sul.



