Pesquisa encomendada pela CBF Academy revela cenário misto sobre SAFs no Brasil. Enquanto apenas 36,4% dos torcedores são favoráveis à transformação, aproximadamente 48 milhões de brasileiros estariam dispostos a investir em ações de clubes se elas estivessem no mercado de capitais.
Pesquisa da AtlasIntel foi realizada entre os dias 1 e 14 de março de 2024, com o total de 4.445 entrevistados, e mostra que apenas 36,4% dos torcedores brasileiros são favoráveis à transformação de clubes em Sociedades Anônimas do Futebol (SAF). A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.
A rejeição é menor ainda: 27,1% são contrários à transformação. O problema real está no meio: 36,5% dos entrevistados “não sabe se apoia ou não” o modelo.
A falta de compreensão
A pesquisa indica que a maioria dos brasileiros não compreende plenamente o que a SAF representa ou quais seriam seus impactos na gestão e no desempenho dos clubes.
Conforme o relatório: “O equilíbrio entre apoio, rejeição e incerteza sugere que o debate público sobre SAFs ainda está em consolidação no país”.
A conclusão é clara: o tema exige “mais comunicação, pedagogia e clareza” dos clubes, dirigentes e especialistas.
Interesse em investir: 48 milhões de brasileiros
Quando perguntados se investiriam em ações de clubes caso estivessem disponíveis no mercado de capitais, a resposta foi surpreendente: aproximadamente 48 milhões de brasileiros responderam afirmativamente.
Ao todo, 23,5% dos torcedores brasileiros afirmaram que investiriam em ações de clubes. Destes, 3,8 milhões (ou 8,2% dos brasileiros) estariam dispostos a investir até R$ 5 mil.
Flamengo lidera com 43,3% de disposição de investimento entre seus torcedores — resultado esperado, já que é a maior torcida do país.
Confira a sequência:
- Palmeiras: 37%
- Red Bull Bragantino: 35,7%
- São Paulo: 32,8%
- Fluminense: 32,7%
- Botafogo: 30,5%
Interessante notar que a disposição de investimento está relacionada não apenas ao tamanho das torcidas, mas também à percepção de gestão, estabilidade esportiva e imagem institucional.
Entre os cinco clubes que mais atraem investimento, apenas o Botafogo é uma SAF. O Bragantino opera sob modelo de clube-empresa.
Segundo Marcelo Rotenberg, diretor de políticas públicas na AtlasIntel, a abertura de ações de clubes seria um novo atrativo para capitalização: “Isso seria um novo atrativo para os clubes se capitalizarem, uma super ampliação do número de pessoas na bolsa e uma forma também de transferir parte dos gastos que os brasileiros têm feito nas bets para investimentos direto nos clubes”.
O paradoxo
A pesquisa revela um paradoxo interessante: enquanto apenas 36,4% apoiam SAF explicitamente, quase 48 milhões de brasileiros gostariam de investir em clubes. Isso sugere que a rejeição à SAF como modelo pode estar relacionada à falta de compreensão, não ao desinteresse em futebol como investimento.



