O FC Porto lançou um empréstimo obrigacionista (termo equivalente a emissão de debêntures no Brasil) de até 40 milhões de euros, com prazo de quatro anos, entre 2026 e 2030. A operação, anunciada pela SAD do clube à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), tem uma característica inédita entre as sociedades anônimas esportivas portuguesas: a taxa de juro base, fixa em 5,25% ao ano, pode ser majorada em função do sucesso esportivo da equipe principal de futebol.
A mecânica funciona assim: cada título de campeão nacional soma 0,1% à taxa, e cada classificação para a Liga dos Campeões acrescenta 0,15%. No melhor cenário esportivo, o incremento anual chega a 0,25% — e, se os dois fatores se repetirem todos os anos, a taxa pode alcançar 6% no último ano do empréstimo. Os aumentos são cumulativos: uma vez aplicados, permanecem até o fim do período.
“O investidor tem uma taxa fixa de 5,25% — independentemente do que aconteça, essa taxa é garantida — e depois, anualmente, poderá haver uma revisão em alta da taxa. Uma vez que haja revisão em alta, mantém-se para o resto do período. Falamos de um empréstimo de 2026 a 2030, é uma emissão a quatro anos. A primeira revisão de taxa ocorrerá em 2027”, detalhou José Pedro Pereira da Costa, administrador financeiro (CFO) da SAD portista. “É uma inovação, a primeira emissão deste gênero a ser feita, uma emissão em que partilhamos com o investidor fora do campo os ganhos que esperamos vir a ter dentro de campo.”
Refinanciamento de 55 milhões e uma oferta em duas frentes
O objetivo declarado da operação é, em primeiro lugar, o refinanciamento. A emissão visa obter fundos para reembolsar as obrigações “FC Porto SAD 2023-2026”, no montante de 55 milhões de euros, emitidas em 7 de junho de 2023 e com reembolso agendado para 7 de dezembro de 2026. A receita líquida estimada da nova operação é de cerca de 38,6 milhões de euros.
A oferta tem duas frentes simultâneas. A primeira é uma oferta pública de subscrição, aberta ao público em geral, com valor nominal unitário de 5 euros por obrigação e investimento mínimo de 2.500 euros — o equivalente a 500 títulos. A segunda é uma oferta de troca, dirigida aos detentores das obrigações de 2023, que pagavam juro de 6,25%: cada título antigo pode ser trocado por um novo, na proporção de um para um, com pagamento adicional dos juros corridos desde 7 de junho de 2026, no montante de 0,15625 euros por obrigação.
O período de subscrição e troca vai das 8h30 de 2 de novembro às 15h00 de 13 de novembro. O valor global inicial de até 40 milhões de euros ainda pode ser aumentado pela SAD até 10 de novembro, mediante adenda ao prospeto aprovado pela CMVM em 28 de outubro. O prospeto esclarece que a aprovação do documento não deve ser entendida como um aval do regulador em relação aos títulos.
Para o leitor que não acompanha o mercado financeiro, um empréstimo obrigacionista funciona como uma dívida dividida em pequenas partes: em vez de pedir dinheiro a um único banco, o clube vende títulos a milhares de investidores, que recebem juros periódicos e o valor de volta no vencimento. A novidade portista está em amarrar parte dessa remuneração ao que acontece dentro de campo — um modelo que transforma títulos nacionais e classificações europeias em ganho financeiro para quem emprestou o dinheiro.
A operação se insere em uma estrutura de financiamento com dois pilares. O primeiro é o segmento de retalho, no qual o clube já emitiu cerca de 125 milhões de euros em obrigações ao longo dos anos. O segundo é a emissão de Dragon Notes, realizada através da Porto StadCo no final de 2024. A nova emissão reforça o primeiro pilar e substitui dívida com vencimento em 2026 por dívida com vencimento em 2030, ganhando quatro anos de respiro no calendário de pagamentos.
Fonte: FC Porto; O Jogo; Record; OneFootball; Mais Futebol.


