A juíza Mariana Gusso, da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, aprovou nesta terça-feira (27) o plano de Recuperação Judicial do Paraná Clube. O aval era esperado desde janeiro e aumenta a possibilidade de que a venda de ações da Sociedade Anônima do Futebol do Tricolor seja oficializada até o final de novembro.
A aprovação é o passo que faltava para dar segurança jurídica ao negócio. Em termos simples, a recuperação judicial é o instrumento pelo qual uma instituição endividada apresenta à Justiça um plano de pagamento aos credores e, com a homologação, passa a ter regras claras sobre prazos e valores a quitar. Sem esse aval, qualquer comprador assume um risco aberto: compra uma empresa cujo passado financeiro ainda não está equacionado perante a Justiça. Com ele, o passivo deixa de ser uma incerteza e passa a ter um cronograma definido — condição elementar para que alguém aceite colocar dinheiro no futebol do clube.
O edital de concorrência e a proposta que já está na mesa
O próximo passo para a SAF é a abertura de um edital de concorrência, mecanismo que torna pública a venda das ações e permite que mais de um interessado apresente proposta. A medida evita que a negociação ocorra em condições de exclusividade e estabelece critérios comparáveis entre os concorrentes.
Há, porém, um interessado que já se movimentou. Já no ano passado a Nextplay, empresa do economista Pedro Weber, fez uma oferta ao clube, prometendo investir cerca de R$ 212 milhões no Paraná até 2035. O montante indica o horizonte do projeto: não se trata de um aporte único, mas de um compromisso de investimento distribuído ao longo de quase uma década — formato que, na prática, exige do investidor disposição para sustentar o clube por vários anos antes de colher resultado esportivo.
O calendário definido pela Justiça coloca, portanto, o Paraná diante de uma janela curta: até o final de novembro para que a operação seja oficializada. Se o prazo se confirmar, o clube encerra o ano com um novo controlador do futebol e com o passivo organizado — dois pontos que, juntos, costumam ser o pré-requisito para qualquer planejamento de temporada que envolva contratação, estrutura e divisões de acesso.
Fonte: CBN Curitiba.



