O Conselho Deliberativo do Caxias aprovou, por unanimidade, as mudanças no estatuto do clube na noite de quinta-feira (15), no Salão Nobre do Estádio Centenário — e o presidente do colegiado, André Zuco, detalhou em entrevista coletiva os desdobramentos da decisão. Dos 154 conselheiros aptos a votar, 108 compareceram, o que garantiu o quórum necessário — a presença mínima exigida para que a assembleia possa deliberar — e foi comemorada, principalmente, pela falta de quórum no último encontro. “Tivemos uma reunião extremamente importante reunindo nossos conselheiros e associados. Dos 154 conselheiros aptos a votar, contamos com a presença de 108, o que nos deu o quórum necessário e demonstrou uma mobilização em torno do futuro do Caxias”, destacou Zuco. A decisão prepara o terreno jurídico do Grená para a futura constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol — a empresa que passará a administrar o futebol profissional do clube, com possibilidade de entrada de investidores.
Blindagem patrimonial e proteção da história
As alterações estatutárias aprovadas seguem uma diretriz fixada pelo próprio Conselho em 2024: o modelo de SAF adotado pelo Caxias envolverá unicamente a gestão do departamento de futebol. “A discussão centrou-se em garantir que o patrimônio imobiliário da S.E.R. Caxias — incluindo o Estádio Centenário e o Centro de Treinamentos — permaneça integralmente sob o domínio do clube associação. Além disso, a grande preocupação de todos era a preservação da nossa história de 91 anos: os símbolos, o escudo, o hino e as cores grená e azul. Tudo isso está devidamente blindado. Também definimos a competência privativa do Conselho para aprovar, fiscalizar e controlar todas as etapas e regras de governança de uma futura SAF”, explicou Zuco. Na prática, isso significa que estádio e centro de treinamentos (a Baixada Rubra) não entrarão na operação — e que o Conselho ficará com o controle e a fiscalização da futura empresa. O dirigente enfatizou que o clima da assembleia foi de total convergência: “Não tivemos nenhuma pontuação adversa. Ocorreram apenas pedidos de esclarecimentos, que foram totalmente dirimidos pela comissão e pela mesa diretora do Conselho. A partir daí, alcançamos a aprovação unânime de todos os 108 votantes”, afirmou. A comissão nomeada para trabalhar o tema apresentou o parecer e os artigos tratados, e regras mínimas de governança foram estabelecidas.

Próximos passos: registro, estatuto da SAF e um recado ao torcedor
Com a adequação estatutária concluída, o Caxias inicia a fase de formalização jurídica e elaboração das diretrizes operacionais da nova empresa, a Caxias SAF. “Agora vamos encaminhar essa alteração para registro nos órgãos competentes. Paralelamente, a assessoria contratada pelo Caxias iniciará o trabalho de estruturação do Estatuto da Sociedade Anônima do Futebol — que será uma nova empresa constituída sob as premissas aprovadas hoje. Quando essa minuta estiver pronta, ela passará por uma comissão e retornará ao Conselho Deliberativo para que possamos, aí sim, autorizar a criação oficial da SAF. Somente após essa etapa o Caxias estará legalmente habilitado a receber e analisar propostas de investidores para a venda de participação societária”, detalhou o presidente do Conselho. Até o momento, não há oferta na mesa do grená — e quem liderará as conversas com possíveis interessados será o presidente Júnior Santolin, da Diretoria Executiva. Qualquer aceite, acordo ou contrato, porém, terá obrigatoriamente de ser submetido e aprovado pelo Conselho Deliberativo.
O tom do dirigente resume o espírito do projeto: “Abrimos uma porta importante de desenvolvimento do clube, mas uma porta que não está escancarada. Uma porta que está com todo cuidado para quando vier uma proposta, o clube esteja estruturado e bem claro para receber. Se preocupar com o investidor e com a proposta para ver se é relevante e colocará o Caxias em outro patamar”, finalizou Zuco.

Na prática, o desenho aprovado coloca o Caxias entre os clubes que chegam ao mercado das SAFs com camadas extras de proteção: patrimônio separado da operação de futebol, identidade histórica preservada em estatuto e poder de veto do Conselho sobre qualquer negociação — um filtro que reduz riscos, mas também exige que a proposta que chegar seja, de fato, relevante para colocar o clube em outro patamar.
Fonte: GZH Pioneiro; Rádio Caxias.


