O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou nesta quarta-feira (30) o acordo com a Ticketmaster, que passa a ser a nova gestora de ingressos no Morumbis e do programa de sócio-torcedores. A votação, que começou às 22h de terça-feira (29) e só terminou às 17h desta quarta, foi aprovada com grande maioria: 184 votos a favor, contra 44 contrários — eram necessários 171 votos favoráveis para que a parceria fosse fechada. Os conselheiros aprovaram o contrato principal, dos tickets, e também a cessão do camarote 29A, para a empresa usar em shows, sem ressalvas.
A aprovação resulta em pagamentos totalizando R$ 140 milhões, com grande parte desse valor sendo antecipado. O dinheiro deve cair nas contas do clube em até 45 dias — e é aguardado com expectativa, já que será utilizado para quitar parte dos salários atrasados dos atletas e demais funcionários. Na última segunda-feira, o São Paulo chegou a quatro meses de atraso no pagamento de direitos de imagem. O vínculo com a Ticketmaster vale a partir de janeiro de 2027 e terá duração de cinco anos, com multa rescisória aprovada com redução (valor não divulgado).
A Ticketmaster é uma das maiores empresas do setor de bilheteria e gestão de ingressos do mundo, com atuação em shows, festivais, eventos esportivos, teatros e outras atrações.
A empresa norte-americana também fará a gestão do programa de sócio-torcedor, que hoje é liderado pela Feng Brasil. Com a mudança, o São Paulo deve começar a negociar a rescisão com a empresa, parceira desde 2021 e que ainda operará até o final de 2026. O valor da multa é de 15% da receita bruta arrecadada pelo Sócio-Torcedor durante esse período.
Na prática, o acordo chega num momento de aperto financeiro e funciona como um alívio imediato: o adiantamento milionário da Ticketmaster dá fôlego de caixa para o clube enfrentar a crise de pagamentos, enquanto a troca de gestoras redesenha duas das principais fontes de receita do Morumbis — bilheteria e programa de sócio-torcedor — a partir de 2027. O desafio seguinte será costurar a saída da Feng Brasil, com a multa de 15% da receita bruta do período, sem comprometer o alívio financeiro que a nova parceria promete trazer.


