Em meio a problemas financeiros e atrasos nos pagamentos, a SAF do Botafogo-PB vive uma rotina conturbada também na Justiça do Trabalho. A sociedade anônima que administra o futebol do Belo possui 16 ações trabalhistas em aberto no Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região, com valores atribuídos às causas que somam R$ 5,7 milhões. Os processos envolvem jogadores, ex-integrantes de comissão técnica, ex-técnicos e funcionários do clube — e o quadro se soma ao compromisso assumido pelo proprietário da SAF de apresentar uma prestação de contas sobre a gestão da empresa.
Os processos estão em diferentes estágios: há ações que ainda terão audiência, outras em fase de execução e casos suspensos temporariamente. É importante ressaltar que o valor atribuído a cada processo é uma estimativa e não representa, necessariamente, o montante que será efetivamente pago pelo clube.
Dos gramados aos tribunais: os casos de maior valor
O processo de maior valor é o do ex-técnico Lisca, com ação de R$ 1,4 milhão que envolve verbas rescisórias, FGTS, multa de 40% do FGTS e indenização por dano moral — o processo está suspenso temporariamente. Na sequência aparece o atacante Gabriel Tota, que cobra R$ 1,22 milhão, com pedidos relacionados a salários, 13º, férias, FGTS, verbas rescisórias e indenização pela rescisão antecipada do contrato. A Justiça concedeu uma decisão provisória que permitiu ao jogador ser liberado do vínculo com a SAF e assinar com outro clube — o entendimento considerou haver indícios de descumprimento contratual por parte do Botafogo-PB.
Romarinho, por sua vez, tem ação de R$ 860 mil, cobrando valores relacionados à rescisão indireta — o mecanismo que permite ao trabalhador sair da empresa como se tivesse sido demitido, quando é o empregador que descumpre obrigações — e ao FGTS. Em despacho publicado em 1º de outubro, a Justiça determinou que o Botafogo-PB pagasse, em 48 horas, o valor apontado no cálculo do processo. Como o pagamento não foi realizado, foram determinadas medidas de execução já previstas anteriormente. A passagem de Lisca pelo clube também rendeu outros processos: Marcio Hahn, integrante de sua comissão técnica, cobra R$ 450 mil, com audiência marcada para novembro; Jonas Neves, também da comissão, tem ação de R$ 306 mil, com verbas rescisórias, FGTS, multa de 40% e dano moral; e Everaldo Santana, preparador de goleiros, pede R$ 267 mil.
A lista segue com o ex-técnico Evaristo Piza, autor de ação de R$ 313 mil que envolve FGTS, férias proporcionais, 13º proporcional, multas trabalhistas e premiação; Felipe Azevedo, com R$ 228,4 mil; e o ex-lateral Lucas Lopes, com processo de R$ 29,2 mil, ainda com audiência prevista. Há ainda o caso de Fausto Momente, ex-gerente: a ação era de R$ 176,7 mil, mas a associação do Botafogo-PB e a SAF concordaram em pagar R$ 65 mil ao reclamante — R$ 35 mil sob responsabilidade do clube e R$ 30 mil da SAF, acordo que está temporariamente pausado. Processos movidos por funcionários, somados, chegam a R$ 448 mil.
Valores não são dívida reconhecida — e investidor promete prestação de contas
Apesar do valor expressivo, os R$ 5,7 milhões não podem ser tratados como uma dívida trabalhista já reconhecida pela SAF do Botafogo-PB, já que os valores atribuídos podem sofrer alterações durante o andamento das ações. Em contato com a imprensa, o investidor da SAF do Belo, Fillipe Félix, informou que a Sociedade Anônima já pagou R$ 4,5 milhões por meio do Regime Centralizado de Execuções — a RCE, ferramenta que permite a um clube ou empresa reunir todas as suas dívidas, trabalhistas ou cíveis, em um único juízo para pagamento de forma ordenada — e afirmou manter os compromissos em dia.
Em paralelo, o ainda proprietário da SAF do Botafogo-PB se comprometeu a apresentar uma prestação de contas, com informações sobre a gestão da Sociedade Anônima do clube, conforme coluna de Juliana Bandeira pela CBN Paraíba. Na prática, o clube paraibano vive um cenário em que a disputa judicial se tornou parte da rotina: de um lado, ex-comandantes e atletas cobram na Justiça os valores referentes a suas passagens pelo Belo; de outro, a gestão da SAF tenta demonstrar organização financeira — com pagamentos concentrados via RCE e a promessa de transparência — enquanto conduz o clube na reta final da Série C do Brasileiro.
Atualização – Prestação de contas sobre investimentos realizados
A Botafogo-PB SAF realizou, na última quinta-feira (8), uma reunião de prestação de contas com a Associação, que contou com a participação de membros da imprensa. Durante o encontro, o proprietário da SAF, Fillipe Félix, revelou um prejuízo de aproximadamente R$ 19 milhões no ano.
Félix também informou ter aportado cerca de R$ 17 milhões no clube. Durante a reunião, algumas despesas da operação do futebol foram apresentadas de forma rápida.
O encontro trouxe à tona números sobre a situação financeira do Belo, com informações sobre o prejuízo declarado, os recursos aportados pelo proprietário e os custos da operação.
O proprietário da SAF também rebateu a ideia de que a administração estaria retirando recursos do Botafogo-PB para benefício próprio. Ele sustentou que a operação apresenta despesas superiores às receitas e que os valores são utilizados para manter os compromissos financeiros do clube.
“Eu sempre protegi o Botafogo. Não retirei dinheiro, sempre saiu do meu bolso. Isso pode ser comprovado por extratos bancários. Hoje, o Botafogo tem uma operação muito negativa. Não há margem para dizer que estamos tirando dinheiro do clube. Quem dera sobrasse. Não sobra dinheiro para ninguém”, declarou.
Fonte: ge.Globo; CBN Paraíba; João Pessoa Destaques; g1.Globo; Blog Maurílio Júnior.



